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Estado agudo de felicidade - Clarice Lispector
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"É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade."
O amor no colo - Carpinejar
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A dor não pede compreensão, pede respeito. Não abandonar a cadeira, ficar sentado na posição em que ela é mais aguda. Vejo homens que não têm coragem de terminar o relacionamento. Que não esclarecem que acabou. Que deixam que os outros entendam o que desejam entender. Que preferem fugir do barraco e do abraço esmurrado. Saem de mansinho, explicando que é melhor assim: não falar nada, não explicar, acontece com todo mundo. Encostam a porta de sua casa (não trancam) e partem para outra vida. Não é melhor assim. Não tem como abafar os ruídos do choro. O corpo não é um travesseiro. Seca com os soluços. Não é melhor assim. Haverá gritos, disputa, danos. É como beber um remédio, sem empurrar a colher para longe ou moldar cara feia. É engolir o gosto ruim da boca, agüentar o desgosto da falta do beijo. Será idiota recitar Vinicius de Moraes: "que seja infinito enquanto dure". A despedida não é lugar para poesia. Haverá uma estranha compaixão pelo pas...
A fé - Rubem Alves
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Há pessoas que nos fazem voar... (...) A gente se encontra com elas e leva um bruta susto. Primeiro, porque o vento começa a soprar dentro da gente, e lá, de cantos escondidos de nossas montanhas e florestas internas, aves selvagens começam a bater asas, e a gente não sabia que tais entidades mágicas moravam dentro de nós, e elas nos surpreendem, e nós nos descobrimos mais selvagens, mais bonitos, mais leves, com uma vontade incrível de subir até as alturas, saltando, saltando de penhascos, pendurados numa asa-delta (acho que o nome disso é fé…)"
Manifesto pela maciez - Carpinejar
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Esqueça a terminologia psiquiátrica, os tipos de transtornos. Vou facilitar sua vida. Há somente dois tipos de pessoas. As pessoas macias e as pessoas duras. As pessoas macias não são gordas. Não é isso. Podem ser magras. A maciez é um traço de personalidade. Gente doce, afetiva, abraça com calma, escuta com interesse. A maciez é um estado de ternura. A pele recebe, os olhos recebem, há uma tranquilidade calorosa, uma vontade de permanecer falando à toa. Maciez é uma generosidade natural. A pessoa macia é ótima para dar colo, e guardar confidências. Você está triste e a pessoa macia logo nos cuida. Você está feliz e a pessoa macia aumenta nossa felicidade. A pessoa macia canta suas músicas prediletas no box. Brinca com crianças. Para na rua a elogiar os cachorros na rua. Demora a sair da mesa. Gosta do seu trabalho e não reclama mesmo quando está doente. Já a pessoa dura é inflexível, teimosa, orgulhosa. ...
Palavras
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A palavra é uma roupa que a gente veste. Uns gostam de palavras curtas. Outros usam roupa em excesso. Existem os que jogam palavra fora. Pior são os que usam em desalinho. Alguns usam palavras raras. Poucos ostentam caras. Tem quem nunca troca. Tem quem usa a dos outros. A maioria não sabe o que veste. Alguns sabem e fingem que não. E tem quem nunca usa a roupa certa pra ocasião. Tem os que se ajeitam bem com poucas peças. Outros se enrolam em um vocabulário de muitas. Tem gente que estraga tudo que usa. E você... com quais palavras você se despe? Viviane Mosé in “ Toda palavra”
Uma dose de Cazuza para começar bem o dia...
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O silêncio, o tempo... - Antoine Saint-Exupéry
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Nunca dês ouvidos àqueles que, no desejo de te servir, te aconselham a renunciar a uma das tuas aspirações. Tu bem sabes qual é a tua vocação, pois a sentes exercer pressão sobre ti. E, se a atraiçoas, é a ti que te desfiguras. Mas fica sabendo que a tua verdade se fará lentamente, pois ela é nascimento de árvore e não descoberta de uma fórmula. O tempo é que desempenha papel mais importante, porque se trata de te tornares outro e de subires uma montanha difícil. Porque o ser novo, que é unidade libertada no meio da confusão das coisas, não se te impõe como a solução de um enigma, mas como um apaziguamento de litígios e uma cura de ferimentos. E só virás a conhecer o seu poder, uma vez que ele se tiver realizado. Nada me pareceu tão útil ao homem como o silêncio e a lentidão. Por isso os tenho honrado sempre como deuses por demais esquecidos.
Ser amigo de si - Martha Medeiros
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"Amigar-se consigo também passa pelo que muitos chamam de egoísmo, mas será? Se você faz algo de bom para si próprio estará automaticamente fazendo mal para os outros? Ora, faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso. Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem. Presenteie-se com boa música, bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto "ser amigo de si mesmo".
Nem tudo é fácil- Cecília Meireles
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É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste. É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre. É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia. É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua. É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo. É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar. É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo. Se você errou, peça desculpas... É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado? Se alguém errou com você, perdoa-o...É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender? Se você sente algo, diga...É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar? Se alguém reclama de você, ouça...
Homens e mulheres - Carlos Drummond de Andrade
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Aula de Direito
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Uma manhã, quando nosso novo professor de "Introdução ao Direito" entrou na sala, a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila: - Como te chamas? - Chamo-me Juan, senhor. - Saia de minha aula e não quero que voltes nunca mais! - gritou o desagradável professor. Juan estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala. Todos estávamos assustados e indignados porém ninguem falou nada. - Agora sim! - e...
Doce medo- Lya Luft
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"Tenho medo da dor de tua ausência que me queima por dentro. E da ternura eu tenho medo, dessa beleza das noites secretas quando chegas sempre como se fosse a única vez. Tenho medo de que um dia queiras cessar esse rio de águas ardentes onde mais do que os corpos tocam-se as almas, anjos desatinados luzindo no breu. "
A volta do Barão!!
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Exagerados. Rodrigo Santos, Roberto Frejat e Fernando Magalhães em ação DIVULGAÇÃO/BARÃO VERMELHO Setembro é um mês importante para o Barão Vermelho. Foi quando, em 1982, ano de surgimento dos Jornais de Bairro, a banda lançou o seu primeiro álbum, que será remasterizado e relançado ainda este ano junto com uma turnê comemorativa. — O disco terá uma faixa bônus inédita, com a voz de Cazuza e arranjos nossos. Faremos também um documentário, filmado com câmeras nossas, registrando os nossos momentos — revela Rodrigo Santos, baixista do grupo e com carreira solo desde 2007, quando o Barão “deu um tempo”. — A turnê deve começar em outubro, no Arpoador, e rodar o país até março de 2013. E talvez nos apresentemos no réveillon de Copacabana este ano. Pela estrada, seguirão Roberto Frejat, Santos, o baterista Guto Goffi, o guitarrista Fernando Magalhães e o tecladista Maurício Barros, da formação original, em participação especial. — A ideia era voltar em uma data importa...
A obsessão pelo melhor - Leila Ferreira
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Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor". Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho. Bom não basta. O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor". Isso até que outro "melhor" apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter. O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos co...
Deu no Ancelmo Gois
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Da coluna de Ancelmo Gois de hoje: " A última da Carminha Até a SuperVia pegou carona no sucesso de Carminha, a vilã da novela “Avenida Brasil”, da TV Globo. Para atrair mais passageiros, vai espalhar pelo Rio, segunda agora, 23 outdoors, além de 60 cartazes, com a seguinte pergunta: “Quer saber a última da Carminha? Vá mais rápido. Vá de trem.” "