terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Saudade...


“Saudade é a dor que se sente quando se percebe
a distância que existe entre o sonho e a realidade.
Mais do que isto:
é compreender que a felicidade só voltará
quando a realidade for transformada pelo sonho,
quando o sonho se transformar em realidade.”
Trecho da crônica “Jardim”, de Rubem Alves.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Ano de pensar - Lya Luft


Mudança de ano, que, com o Natal, para uns é celebração (estou desse lado), para outros, melancolia.
O que nos atrapalha é que alguém inventou que temos de tomar decisões e fazer projetos para esse novo ano.
São quase sempre irreais, quase sempre não cumpridos.
Aí já nos frustramos neste mundo de tantas frustrações, em que a gente teria de ser bonito, saudável, competitivo e competente, bom de cama e ruim de mesa, e uma lista interminável de "ter de".
Pois eu acho que 2010 pode ser o Ano de Pensar.
Bom projeto, boa intenção. Uma só, e já é bastante.
Pensar: coisa que tão pouco fazemos, embora seja o que nos distingue das outras feras.
Publiquei recentemente mais um livro para crianças (mas os adultos se divertem),
chamado Criança Pensa.
Com ele respondi, décadas depois, ao duplo lema dos adultos de um outro tempo,
de que criança não pensa, criança não tem querer.
Hoje tem querer até demais, mas isso é assunto para outra crônica.
E pensar, continua pensando,
apesar de todos os jogos eletrônicos e programas de computador imagináveis.
Se criança pensa – e pensa lindamente, segundo descobrimos e escrevemos, um de meus filhos, professor de filosofia, e eu –, adultos teriam de pensar ainda muito mais.
Porém a gente vai se enquadrando.
Família, escola, sociedade e cultura, seja o que isso for,
tornam-nos menos pensantes e menos questionadores.
Alguns escapam dessa mordaça e desabrocham.
Podem ser os menos confortáveis, mas são os que movem o mundo.
Pensar não é uma obrigação: é um direito, e deveria ser um prazer.
Naquela horinha no ônibus ou no carro, andando, nadando, comendo, não fazendo nada – o que é um luxo, e nós, bobos, poucos saboreamos –, nada melhor do que deixar tudo de lado e refletir,
ou deixar as ideias vagando numa atenção flutuante, como dizia Freud.
Largar mão, por alguns instantes, dos compromissos, do cansaço, da falta de tempo, da dificuldade em ser feliz, da pouca harmonia consigo e com o mundo, das tragédias, das decepções universais ou pessoais – e dar-se o prêmio de pensar.
Para algumas pessoas, parar para pensar não é desmontar.
E ficariam dispensados os dez ou doze ou três propósitos, as intenções fajutas eternamente repetidas – como as de emagrecer, romper ou melhorar o relacionamento, sair de casa, voltar a estudar, vencer na vida, ter filhos, mudar de emprego ou de parceiro, deixar de beber, de fumar, de se drogar com outras substâncias. A essência seria esta: neste ano, eu vou pensar.
Em mim, na vida, nos outros, no mundo, em mil coisas ou numa coisa só – que seja realmente importante.
Pensar para ser uma pessoa mais decente;
pensar para amar mais e melhor, começando por mim mesmo;
pensar para votar com mais lucidez; pensar no que de verdade eu quero, se é que eu quero alguma coisa – ou sou do tipo que se deixa levar por desânimo, preguiça ou desencanto?
Pensar simplesmente para criar meu mundo particular, não num ataque de loucura, mas de criatividade.
Pois o real não existe, existe o que vemos dele.
Dentro de certos limites, podemos, cada um de nós, inventar o nosso mundo:
sendo mais céticos ou mais otimistas, com aquele grãozinho de loucura necessário para que haja beleza e claridade e não vivamos numa caverna de trevas.
Basta ver como pensam as crianças, ainda livres das nossas inibições.
"Fadas e anjos existem, não é?", pergunta-me uma delas.
Respondo honestamente: "Para quem acredita, existem".
Acredito que, apesar de Copenhague, o mundo não vai torrar (as opiniões dos cientistas divergem), que vamos ter motivo para nos orgulhar de nossos países, que não vai mais haver tanta miséria e cinismo, que os colégios vão ensinar melhor e exigir mais em lugar de facilitar tão absurdamente e despejar tanta gente despreparada no mundo.
Sei que todos algum dia acordamos com a senhora desilusão sentada na beira da cama.
Mas a gente vai à luta e inventa um novo sonho, uma esperança, mesmo recauchutada:
vale tudo menos chorar tempo demais. Pois sempre há coisas boas para pensar.
Algumas se realizam. Criança sabe disso.


Feliz 2010.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

FELIZ OLHAR NOVO!!


O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.
Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes , o pneu fura, chove demais ...
Mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho? Quero viver bem.
O ano que passou foi um ano cheio.
Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal.
A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor machucou. Normal.
O próximo ano não vai ser diferente.
Muda o século, o milênio, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que desejo para todos nós é sabedoria!
E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!
Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim ...
Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o a categoria três, a dos colegas. Ou mude de classe, transforme-o em conhecido. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro: CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE.
Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.
Desejo para todo mundo esse olhar especial.
O próximo ano pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
O próximo ano pode ser o máximo, maravilhosos, lindo, espetacular ... ou pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você!
Pode ser...E que seja!!!
*FELIZ OLHAR NOVO!!"*
(Carlos Drumond de Andrade)


Em homenagem à minha querida amiga Karina, que me mandou este lindo e-mail.