quinta-feira, 15 de julho de 2010

Apaixonante Isabella


Cheguei há pouco do inesquecível show da cantora Isabella Taviani aqui no SESI em Macaé. Que noite!!!

A primeira vez que vi e ouvi Isabella foi num dvd feito em homenagem a Renato Russo onde ela interpretava a música "Vinte e Nove", há cerca de quatro anos. Ali já fiquei curioso para saber de quem se tratava!

Depois comecei a escutá-la com mais frequência principalmente na Globo FM, onde canções como "Luxúria", "Digitais" e "De qualquer maneira" tocavam direto. Quando comecei a namorar minha mulher, descobri que ela tinha 2 cd's de Isabella e fiquei mais apaixonado ainda.

E hoje, pude constatar in loco a maturidade musical de uma intérprete especialíssima. Vivendo uma fase mais calma de sua vida, como mesmo falou, Taviani mostra que veio para ficar. Terna, romântica o tempo todo, simpática toda vida, ela sente cada frase de suas músicas e passa toda esta sensibilidade para quem vai assisti-la. Conversa com a plateia de maneira simples e sincera. Deixa no ar toda sua alegria em poder estar no palco e como ainda disse, gosta de olhar nos olhos do seu público. Nesta noite ainda estava mais feliz, pois sua irmã e o marido, que moram aqui em Macaé estavam assistindo a apresentação.

O que posso dizer é que se pudesse estaria novamente em Campos amanhã para vê-la. Mas, por certo, os ingressos já esgotaram. Se não, por favor me avisem.

Caso ainda não conheça Isabella, saia de casa na noite de sexta e seja feliz. E não deixe de levar sua namorada, namorado, marido, amante, o que for..... Curta intensamente cada instante do show. Preste atenção nas letras e viaje com a delicadeza e a força de uma cantora que já é uma maravilhosa e apaixonante realidade.

domingo, 11 de julho de 2010

BANZO Capítulo 9


"- Eu não entendo."

"- Também gostaria de entender."

"- Então venha comigo."

"- Minha família está aqui"

'' - Há um mundo além do nosso mar."

"- Eu sei. Há uma guerra lá. E você vai em direção a ela. Você não deveria ir. Sabe disso."

"- Não sei mais nada."

"- Então fique!"

"- Minha mãe acredita em uma vida melhor longe daqui."

"- Sua mãe despreza nosso mar desde..."

"- Não fale de minha mãe."

'" - Desde que seu pai morreu."

" - Não fale de meu pai."

"- Meu amor... Estou falando de você. Você ama tudo que nos cerca. está nos seus olhos."

"- ...Eu amo você. Amo minha família. Amo o mundo que conhecemos... E amo o desconhecido. O que está além desse mar quer conheço. Eu sei que você quer vir.

"- Eu quero muitas coisas que você não entende."

"- Nenhuma guerra vai nos atingir. Eu prometo. Por favor, venha."

" - Por favor, fique."

" - Amanhã eu vou te esperar no Princesa."

"- Eu não irei."

" Você virá. Eu sei que você quer vir.E nós conheceremos o mundo juntos. Longe de qualquer guerra. Amanhã! No Princesa. Toda nossa vida vai mudar. Amanhã..."

Isso foi há cinquenta anos.

O vento úmido e salgado parece querer nos castigar essa manhã. Estamos a cerca de dez dias no mar procurando por ELE. Dez dias de poucas palavras e muita esperança.

O irmão dELE parece ter descoberto um brilho interior que vivia escondido sobre sua pele. Nos guia com tranquilidade no mar, como se enxergasse os rastros deixados por ELE nas águas. Têm os olhos de um caçador. O garoto deixou na praia quase todos os sinais de sua mocidade e mostra-se um adulto precoce e seguro de sua força. Nesses dez dias vi pouco do desconhecido do mundo que tanto encantou ELE. Esse desconhecido maldito que O roubou de mim mais do que os desvarios de sua mãe ou sua declarada obrigação familiar. Vejo essa fidelidade familiar no irmão dELE. Na forma com que misteriosamente abrigou esse garoto em uma jornada tão pessoal. Em como esse irmão parece destinado a encontrá-LO nesse imenso mundo. Encontrá-LO para mim. Por mim. Por ELE. Por NÓS finalmente juntos. E por que?

O desconhecido se camufla nos detalhes. Nas frestas do mundo. ELE viu o mundo mas nunca percebeu isso. Hoje eu sei.Olho para os dois quase desconhecidos que me levam e o meu impulso é o de lavar-lhes os pés. Mas não há tempo para gestos de amor ou gratidão.

Um imenso trovão abala as fundações do mundo com seu grito profundo e furioso e afugenta meus pensamentos.Outrro trovão! E o pensamento é um só. A morte cavalga as ondas que se agitam. No terceiro e grandioso trovão nosso barco se agita como um animal ferido. O garoto tenta domá-lo. O irmão dELE olha o infinito decifrando os segredos por trás da grande tempestade que se prenuncia. Há morte nos seus olhos. Ele olha o garoto que luta para dominar o barco que se debate com o fustigar do mar em suas feridas. Olha-me nos olhos como nunca ousou fazer antes e uma fresta do mundo se abre. E vejo um pedaço de desconhecido nos seus olhos. A fresta se fecha e tudo é dor no seu olhar quando ele me diz.

" - ELE está além to trovão. Além da tempestade. O garoto tem uma vida pela frente. Não sei se termos força pra prosseguir. Não sei se iremos sobreviver. Nem sei se ELE vai. "

"- O que iremos fazer?"

O pior dos trovões deixou a boca do irmão dELE na forma de duas palavras. Tudo estremeceu dentro de mim quando ele disse.

" - Precisamos escolher."


Fim do capitulo 9

sábado, 10 de julho de 2010

Banzo- Capítulo 8


Capítulo 8


Eu nunca tinha conhecido a solidão até aquele dia.
O sol amanhecia carregado de uma esperança que não me aquecia. Ele parecia iluminar um pouco menos o mundo, e no entanto era o mesmo sol.
A notícia se espalhou rapidamente. Os mais velhos lembraram seus lendários quinze dias no mar no pequeno barco que era o Princesa. Os mais jovens duvidavam e se revezavam na praia entre apostas e ironias. Os barcos saíram na manhã e nada encontravam.
Eu estava só e confuso. Pela primeira vez não entendia o que pretendia meu irmão. Só me restava esperar.
E foi o que fiz.
Durante todo o primeiro dia fiquei na beira mar a espera de algum sinal. Esperava que ELA aparecesse também. ELA não veio. Quando a noite finalmente caiu o garoto que nos acompanhou na nossa pesca chegou trazendo-me comida e café quente. Permaneceu em silêncio enquanto eu comia. E em silêncio recolheu os restos e partiu.
Não dormi durante a noite. O vento rugia com ferocidade e aumentava o temor que sentia por meu irmão. Lembrava de todos os caminhos que trilhamos juntos e que nos traziam de volta ao nosso mar. E ainda buscava entender o sentido por trás de seu ato. O vento ficava mais feroz. Mas eu não sentia frio. Pelo contrário, algo secreto dentro de mim parecia me aquecer. Foi quando o sol se desenhava timidamente no horizonte que percebi que não era o vento que rugia.
Era eu.
Na manhã do segundo dia olhei o mar buscando acalmar a fera que finalmente se revelou dentro de mim. A fera adormeceu quando o sol tocou meu rosto. Olhei em volta. Aquela era a minha terra também. Dei as costas para o mar e andei sem pressa por ruas desertas e casas fechadas. Lembrava os cheiros, sons, cores e deliciosos sabores de minha infância e juventude. E sem nenhum pudor e nenhuma culpa, me senti feliz por estar de volta. O mar cuidava de meu irmão. Eu me descobria na ausência dele.
Voltei a praia e o garoto me esperava. Tinha o rosto preocupado.
"- Onde estava?"
"- Passeando. O que mais pode fazer um velho?"
"- E seu irmão?"
"- Em breve saberemos."
"- Saberemos o que?"
"- O que fazer."
Ele ficou confuso.E tudo começava a fazer sentido pra mim. Ele mudou de assunto.
"- Trouxe comida e café fresco.'
"Então vamos comer.' Disse com alegria abrindo um largo e tranquilo sorriso. O sorriso surpreendeu o garoto e a mim. Comemos, conversamos sobre pescas, mulheres e o que havia no mundo além do grande mar a nossa frente.
O segundo dia passava e o garoto permanecia comigo. ELA não vinha...Ainda. Mas sabia que viria. E então entendi que não era meu irmão que eu esperava.

Era ELA.
Eu esperei por ELA por todo o terceiro dia. ELA chegou ao cair da noite trazendo comida, um guarda chuva e poucas roupas. Tudo era tranquilidade nela, menos as mãos e os olhos fitando o chão. Enquanto comíamos eu a senti em uma imensa e desgastante luta íntima. Até que algo dentro dela finalmente cedeu e se libertou. E ELA nos deu com a voz calma o sinal que esperávamos.
"- Ele não vai voltar dessa vez."
E tudo ficou claro. Misteriosamente o garoto tomou a silenciosa decisão de pôr o barco na água e nos acompanhar. E vi que abraçar o mistério era o melhor a fazer.
O mar nos recebia com calma. Era um bom sinal.
Tudo mais era promessa.

Fim do capítulo 8
Continua