segunda-feira, 30 de abril de 2012

Aprendendo com as crianças - Paulo Leminski




"Nesta vida pode-se aprender três coisas de uma criança:

Estar sempre alegre,

nunca ficar inativo,

e chorar com força por tudo aquilo que se quer."

Duas vezes monogâmico - Carpinejar



Há homens infiéis que são mais monogâmicos do que os fiéis. Antes que alguém me acuse de disparate, explico.

Lembro de Drummond que durante trinta e seis anos teve uma mesma amante, Lygia Fernandes, não interrompendo seu casamento de meio século com Dolores.

Ele entrava na residência de sua namorada em Ipanema como um marido regrado. Sempre de tarde, após o serviço no Ministério da Educação. E voltava de noite para seu apartamento em Copacabana, poucas quadras dali, com igual severidade, aos braços de sua mulher. Sofro com sua hesitação – curta no tempo, longa no espírito - diante das chaves em seu molho no momento de abrir a porta.

Não bastava uma casa, ele ajudava duas. Duplamente monogâmico. Fazia o tipo conservador. Nenhuma das duas mulheres o poderiam trair. Mas não julgava traição estar entre as duas.

Não fugia de um casamento por uma aventura, fugia de um casamento para outro casamento. Deixava uma estabilidade para uma outra estabilidade. Deixava os problemas de um lar para os problemas do outro.

As contas de um pelo outro. As preocupações de um pelo outro. Nossa... Não posso classificá-lo de amante, mas de doido pelo matrimônio, incapaz da infidelidade que deveria ser provisória.

Ele não aspirava ao sexo casual, ao prazer momentâneo, à euforia inconseqüente, buscava o compromisso. Qualquer rua o levaria ao cartório. Ele não se apaixonava de cara, ele amava de cara, sem curso preparatório para noivos.

Não percebia que quando a amante passava a recebê-lo em casa, ele já era da família. A comodidade o embaraçava.

Não o vejo dotado da indiferença, preparado emocionalmente a não atender o telefonema e enterrar as suspeitas. As suspeitas o enterravam.

Suscetível às ameaças, ao charme da carência, à inteligência da culpa. As mulheres transformadas em filhas, em que ele tenta igualar a criação e a distribuição de mimos.

Ao toque de um interurbano secreto, saía correndo. Tinha emergências de um cardiologista (e era enorme o risco de morrer de coração). Ele apegava-se, enraizava-se, moldava-se e não largava mais. Ele nunca escolhia, acumulava.

Conheço homens que são tão apaixonados pelo casamento que mantém duas ou três histórias duradouras. E a duplicidade só será descoberta no velório, quando é perigoso apontar qual é a verdadeira viúva. Todas choram com ímpeto espartano, e acariciam as alças com os caprichos de uma aliança.

Eles não estão procurando encontrar algo que falta no casamento, e sim repetir o que encontraram. O lado bom e o ruim. Não duvido que o lado ruim mais do que o bom. Talvez se sintam tão ameaçados pela desvalia, carentes, que multiplicam suas estradas e criam cadernetas de poupança para evitar uma das falências.

Se um casamento é complicado, pesaroso entender o esforço de sustentar dois ao mesmo tempo. Ele trocará lâmpadas em duas casas, matará baratas em duas casas, pagará duas vezes IPTU, abrirá os potes de pepino em duas casas, trocará a resistência do chuveiro em duas casas?

É muita valentia. Ou burrice.

Reclamar que não há nada na geladeira eternamente e freqüentar o mercado mais vezes do que um caixa. Será que um cachorro o esperava em cada área de serviço com lambidas no rosto?

Como não se confundir no sono, não soltar um nome fora de hora? Não embaraçar o que foi vivido num bairro do que foi vivido noutro? Não denunciar que não conhece um restaurante quando o garçom se aproxima com indisfarçável ironia? Não se tornar paranóico com seus conhecidos, querendo eliminar as suspeitas?

A memória tem que ser prodigiosa, para decorar as datas de aniversários das mulheres. Não me refiro a um dia, que seria fácil, porém o imenso e repetido calendário que envolve os cuidados amorosos. O dia do primeiro encontro, o dia do primeiro beijo, o dia da primeira transa, o dia de morar junto. Eu já fiquei cansado ao simular. Na hipótese dele se esquecer de alguma delas, estar pronto para discutir o relacionamento. Imagina brigar em duas casas? Largar uma discussão para começar a seguinte, com motivos e ciúme parecidos. Passar a vida se explicando, em crise, e se explicando sem ter razão.

Coitados dos homens que não conseguem se separar, e se casam e se casam com os casos para caçar loucamente o amor de qualquer jeito. Qualquer jeito não é amor.

Charge do dia-Amarildo

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Minto, logo existo- Nelson Motta



Com o início de mais uma CPI em busca da verdade, a única certeza é que ouviremos mais uma cachoeira de mentiras. Mesmo jurando sobre a Bíblia, eles vão mentir, como José Roberto Arruda fez na tribuna do Senado, jurando pelos seus filhos que não tinha violado o painel eletrônico. Quantas vezes ainda ouviremos alguém dizer "eu não sabia"? É difícil saber se já houve mais corrupção no Brasil em outro tempo, mas certamente nunca na história deste país se mentiu tanto. Só que agora as mentiras se espalham instantaneamente pela sociedade, mas podem ser mais rapidamente desmentidas pelos fatos e pela tecnologia.

Historicamente, nos Estados Unidos e em países de cultura protestante, mentir é um ato muito mais grave, moral e legalmente, do que na América católica. Em países regidos por esses códigos morais, mentir em juízo sob juramento é crime de perjúrio que pode levar à prisão e até derrubar presidentes. Como o mentiroso Richard Nixon, obrigado a renunciar depois do escândalo Watergate, e Bill Clinton, que sofreu um impeachment na Câmara dos Representantes, com muitos votos do seu próprio partido, não pelo mau gosto do romance com Monica Lewinsky, mas porque mentiu. Foi salvo pelo Senado, por poucos votos. E era um dos presidentes mais populares e bem-sucedidos da história americana, com sólido apoio parlamentar.

A verdade é que todo mundo mente, uns mais e outros menos, para o mal e para o bem, pelos mais diversos motivos, sentimentos e circunstâncias, é parte da condição humana. Mas quando alguém mente para si mesmo, como Sarney se acreditando um grande estadista de moral ilibada, ou Zé Dirceu se dizendo "cada vez mais convencido" de sua inocência no mensalão, para esses casos não há cura. Mas isto é assunto psicanalítico, estamos falando de roubos e conspirações de políticos, empresários e funcionários contra o Estado.

Como nos lembram CPIs recentes, eles mentem cínica e impunemente, humilham nossa inteligência, desmoralizam nossa fé nas instituições e provam que aqui a mentira é não só tolerada como recompensada. Eles anunciam uma verdade brasileira: minto, logo existo.


Publicado na edição de hoje do jornal "O Globo".


Soneto do Corifeu- Vinícius de Moraes



São demais os perigos desta vida

Para quem tem paixão, principalmente

Quando uma lua surge de repente

E se deixa no céu, como esquecida.


E se ao luar que atua desvairado

Vem se unir uma música qualquer

Aí então é preciso ter cuidado

Porque deve andar perto uma mulher.


Deve andar perto uma mulher que é feita

De música, luar e sentimento

E que a vida não quer, de tão perfeita.


Uma mulher que é como a própria Lua:

Tão linda que só espalha sofrimento

Tão cheia de pudor que vive nua.

Amizades - Caio Fernando Abreu



"E se é verdade que o tempo não volta,

também deveria ser verdade

que os amigos não se perdem.”

terça-feira, 24 de abril de 2012

Charge da tarde- Pater

Postagem de blogueiro morto no Maranhão falava sobre pistolagem



O jornalista Décio Sá, repórter e blogueiro do jornal "O Estado do Maranhão", foi assassinado na noite desta segunda-feira com tiros a queima-roupa num bar, na Avenida Litorânea, em São Luís. Repórter político, Décio era conhecido por fazer denúncias em seu blog. O crime abalou a opinião pública maranhense e chocou jornalistas e defensores de direitos humanos.

Em seu penúltimo post publicado no Blog do Décio, o jornalista contou que advogados de pistoleiros acusados de matar um líder comunitário em Barra do Corda (MA) pediram para transferir o caso para São Luís.

Escreveu Décio:

"A defesa dos pistoleiros Moises Alexandre Pereira e Raimundo Pereira, acusados de matar no ano de 1997, em Barra do Corda, o líder comunitário e sem-teto Miguel Pereira Araújo, o Miguelzinho, a mando do empresário Pedro Teles, ajuizaram nesta segunda-feira pedido no Tribunal de Justiça do Maranhão solicitando a transferência do julgamento para São Luís."

O secretário de Segurança do Maranhão, Aluisio Guimarães Mendes Filho, esteve no local do homicídio que está sendo considerado um crime de pistolagem, por encomenda, e que representa grave ameaça à liberdade de imprensa no Maranhão.

O Maranhão tem uma representação do Disque-Denúncia do Rio, e atende pelos telefones (98) 3223-5800 (São Luís) e 03003135800 (interior). Como o autor dos disparos não escondeu o rosto e o bar onde houve o crime estava lotado é possível que a polícia consiga informações anônimas e consiga fazer o retrato falado do assassino.

Fonte: Blog de Ancelmo Gois

Charge do dia- Myrris

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A lei do carma ou de causa e efeito - Deepak Chopra



O carma é, ao mesmo tempo, a ação e a consequência dela.
Todos já ouviram a expressão:
"Colherás aquilo que semeastes"
Se quisermos felicidade em nossa vida,
precisamos aprender a semear felicidade.
Portanto, a lei do carma implica a ação de fazer escolhas conscientes.
Quando escolhemos ações que levam a felicidade
e sucesso aos outros,
o fruto do nosso carma será o mesmo.
A cada momento temos acesso a uma infinidade de escolhas.
Algumas delas são feitas de forma consciente, outras não.
Infelizmente, muitas de nossas escolhas,
por terem sido feitas sem consciência,
não nos parecem escolhas - no entanto, são.
(...)
A melhor forma de usar a "lei do carma"
é se distanciar e testemunhas as escolhas que você está fazendo a cada momento.
Quando fizer uma opção, pergunte a si mesmo duas coisas:
" Quais são as consequências dessa escolha?" e
" Será que a escolha que estou fazendo vai trazer felicidade para mim
e para os que me cercam?"
Sempre há uma opção que vai criar o máximo de felicidade
para você e seu entorno.
Essa opção é a ação espontânea e correta,
porque é a AÇÃO que alimenta a você
e a todos os outros influenciados por ela.

in " As Sete Leis Espitituais para o Sucesso" pág. 51/52

Curso de férias na Gávea


quinta-feira, 19 de abril de 2012

44% dos pais dizem em pesquisa que controlam filhos pelo Facebook

 
 
 
Os pais descobriram que acessar redes sociais pode ajudar a saber o que os filhos fazem e com quem conversam. De acordo com pesquisa divulgada pela fabricante de programas de segurança AVG, 44% dos pais controlam os filhos pelo Facebook.

O estudo, chamado de "Digital Coming of Age", entrevistou 4,4 mil país com filhos entre 14 e 17 anos em 11 países. O resultado apontou que mais de um terço teme que a atividade dos filhos nas redes sociais possa prejudicá-los em futuras oportunidades de trabalho. Neste quesito, os espanhóis foram os mais preocupados, respondendo por 65% dos entrevistados. No ranking das preocupações com a interferência das redes sociais na busca do emprego, o segundo lugar ficou com a Itália (57%), seguida de Alemanha (47%), França (45%), Austrália (42%), Estados Unidos (40%), Canadá (38%), Nova Zelândia (37%), Japão (33%) e Reino Unido (30%).

Os britânicos são os que mais suspeitam que as atividades on-line dos filhos apresentam conteúdos relacionados a sexo, com 23% dos entrevistados apontando está preocupação. O ranking tem Austrália com 22%, Estados Unidos e Espanha empatados com 21% e Canadá com 20%. Ainda sobre sexo, nos Estados Unidos e Reino Unido, um quinto dos pais suspeita que seus filhos acessam pornografia no computador e trocam e publicam mensagens explícitas ou abusivas nas mídias sociais

Os pais entrevistados se preocupam com as fotos dos filhos publicadas no Facebook, com cerca de 50% afirmando que as imagens podem ter localização geográfica, indicando onde eles moram. A confiança nos filhos também é baixa quando o assunto é download ilegal de músicas. Cerca de 45% dos pais espanhóis acreditam que seus filhos baixam canções sem pagar. Na República Checa chega a 35%, 30% na França, 28% no Reino Unido, 27% na Austrália e Nova Zelândia e 19% nos Estados Unidos.

Escola deve ensinar segurança

A pesquisa da AVG também revela que quase metade dos entrevistados acredita que as escolas fazem um bom trabalho para ensinar os jovem a navegar de forma segura na internet. Os pais do Reino Unido são os que mais confiam nas escolas para esta orientação (59%).Em último lugar do ranking ficou a República Checa, onde 31% dos pais acham as escolas efetivas. Já na Espanha, a aprovação das escolas ficou em 54%, 53% na Austrália, 49% nos Estados Unidos, 47% na Nova Zelândia, 44% na Alemanha, 43% no Canadá, 43% na França e 35% na Itália.

Fonte: G1



terça-feira, 17 de abril de 2012

O segundo- Carlos Drummond de Andrade



O segundo,
não o tempo é implacável.
Tolera-se o minuto.
A hora suporta-se.
Admite-se o dia, o mês, o ano, a vida,
A possível eternidade.
Mas o segundo é implacável.
Sempre vigiando e correndo e vigiando.
De mim não se condói, não pára, não perdoa.
Avisa talvez que a morte foi adiada
Ou apressada
Por quantos segundos?

Liberdade do amor - Carpinejar



"Liberdade na vida é ter um amor pra se prender.
A gente reclama muito da dependência, mas como é maravilhosa a dependência, confiar no outro, confiar no outro a ponto de não somente repartir a memória,mas repartir as fantasias.
Confiar no outro a ponto de esquecer quem se foi assim que o outro esteja junto,é talvez chegar em casa e contar seu dia e só sentir que teve um dia quando a gente conta como foi. É como se o ouvido da outra pessoa fosse nossos olhos.
Amar é uma confissão.
Amar é justamente quando um sussurro funciona melhor que um grito.
Amar é não ter vergonha de nossas dúvidas, é falar uma bobagem e ainda se sentir importante. É lavar louça e nunca estar sozinho.
É arrumar a cama e nunca estar sozinho.
É aquela vontade danada de andar de mãos dadas durante o dia e de pés dados durante a noite."



Índios- Renato Russo



Quem me dera ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera ao menos uma vez
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera ao menos uma vez
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera ao menos uma vez
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
Fala demais por não ter nada a dizer.

Quem me dera ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos e vimos um mundo doente.

Quem me dera ao menos uma vez
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
Sua maldade, então, deixaram Deus tão triste.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do iní­cio ao fim.

E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi


Quem me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera ao menos uma vez
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos, obrigado.

Quem me dera ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado por ser inocente.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim.

E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.

Charge do dia-Fani

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Triste realidade

Do Blog de Ancelmo Gois:

"Era Facebook

Pesquisa que será apresentada pelos psiquiatras Fábio Barbirato e Gabriela Dias no curso As gerações X, Y e Z, na Casa do Saber, no Rio, diz que fazer ao menos uma refeição à mesa com os pais diminui em 80% os riscos de um jovem se tornar usuário de drogas.
Segundo os dois psiquiatras, a tecnologia interferiu na relação de pais e filhos. "Há pais que só ficam sabendo da vida dos filhos pelas redes sociais."



quarta-feira, 11 de abril de 2012

Aquele maldito silêncio- Ivan Martins



"Sempre que eu vejo a cena ela me constrange: o casal come em total silêncio no restaurante, praticamente sem olhar um para o outro. Tendo passado por algumas crises de relacionamento, eu imagino que aquelas duas pessoas não têm mais nada a dividir além da conta. Elas simplesmente sentam lá, uma diante da outra, e se alimentam como se estivessem sozinhas. O que de fato estão.
Há pessoas, sobretudo mulheres, que acreditam na comunicação sem palavras. Em certos momentos mágicos, elas dizem, as pessoas apaixonadas são capazes de caminhar lado a lado, ou simplesmente estar uma com a outra, por longos períodos, sem abrir a boca. Estariam conectadas por um sentimento tão intenso que tornaria toda palavra desnecessária.
Imagino que esses momentos especiais realmente existam (fora daqueles densos minutos de silêncio depois do sexo, quando só fala quem está com urgência incontrolável de pedir um táxi para ir embora...), mas eu estou 100% seguro de que eles não acontecem ao redor da comida.

Por alguma razão ancestral, o ato de comer invoca uma felicidade gregária e primitiva, que precisa ser compartilhada por palavras – exceto quando as pessoas envolvidas já dividem uma porção invisível de tristeza, ressentimento ou profunda indiferença. Nestes casos, o silêncio se impõe de forma incontornável. Aos grupos, às famílias e, sobretudo, aos casais.

É por isso que eu, quando saio para comer, gosto de ouvir o som da voz humana vindo do outro lado da mesa. Uma mulher falando de maneira entusiasmada reafirma, para mim, várias coisas positivas ao mesmo tempo: que ela está bem, que ela continua conectada comigo e que ela e eu, juntos, ainda somos capazes de conjurar um momento de cumplicidade. É como constatar que o prato da relação não está vazio.

A comida é tão importante na vida emocional que, mesmo sem ser um grande comilão, eu posso me lembrar de vários momentos decisivos presenciados por garçons – ou transcorridos na cozinha de alguma casa.

Há brigas antigas que, anos depois, ainda me envergonham. Há a memória luminosa de diálogos carregados de sensualidade e expectativa. Há o som de uma risada que me fez querer beijar instantaneamente. Há a lembrança dos olhares e a sensação furtiva de corpos se tocando sob a mesa. Há, claro, os malditos silêncios, inúmeros, dos tantos encontros que deram errado ou das relações que esfriaram sem palavras sobre a mesa.

Quando coloco essas coisas juntas, elas parecem sugerir que comer na companhia de alguém constitui um teste de afinidade, um termômetro.

Um casal antigo que conversa com interesse na hora do jantar, mesmo diante da TV ligada, ainda deve estar na mesma sintonia. Um casal recente que divide feliz a feijoada de sábado provavelmente teve uma noite digna de ser lembrada. Um casal que sai pela primeira vez e consegue embarcar numa conversa apaixonada diante da sopa fumegante está na direção correta. Aqueles que cozinham juntos, rindo e bebendo, talvez sejam os mais felizes - provavelmente terão, depois da mesa, uma cama ainda mais gostosa.

Só não me peçam, por favor, para apreciar a magia do silêncio durante a comida. Essa percepção está reservada às mulheres profundamente intuitivas e seus parceiros sem palavras. Da minha parte, prefiro comer ouvindo uma mulher ansiosa me contando o seu dia repleto de detalhes cintilantes. Pode não ser a coisa mais misteriosa do planeta, mas é real. De alguma forma subjetiva me alimenta e me faz feliz – como um bom prato de comida, que esquenta o estômago e aquece o coração. "

Ivan Martins é editor-executivo da revista "Época".

terça-feira, 10 de abril de 2012

Quase 80 milhões acessam a internet no Brasil

O número de brasileiros que acessa a internet chegou a 79,9 milhões no quarto trimestre de 2011, segundo o IBOPE Nielsen Online. Em relação ao mesmo período de 2010, houve crescimento de 8%, principalmente nos acessos de casa e do trabalho. No entanto, quase a metade deles ainda acessa a internet com velocidade baixa.
O acesso em casa ou no trabalho atingiu 66 milhões de pessoas no primeiro trimestre. O total de pessoas que moram em residências em que existem computadores com internet chegou a 62,6 milhões.
O número de pessoas que acessam internet com velocidade maior que 2 Mbps (Megabits por segundo) aumentou 300% em dois anos, aponta a pesquisa. No entanto, quase metade dos usuários de internet (45%) ainda utiliza velocidade entre 512 Kbps (Kilobits por segundo) e 2 Mbps.
De acordo com o instituto, o aumento dos acessos à internet feitos de casa ocorre devido à expansão do serviço de banda larga no país. Mas apesar do crescimento em número de pessoas conectadas, o tempo de uso de janeiro para fevereiro do computador caiu de 63 horas para 57 horas mensais.

 Fonte: UOL

Farra do dinheiro público: Agora surge o telegrama de condolências


Informações do jornal "Agora":

"Em ano eleitoral, a vereadora e candidata a reeleição Edir Sales (PSD) está enviando o que chama de "telegramas de condolências" a paulistanos que perderam algum familiar. Cada mensagem de pesar custa R$ 8,80.
A vereadora, que entre março de 2011 e o mês passado gastou 67.430,17 da verba de gabinete com despesas com Correios, disse que o envio desses telegramas é bancado por "escritórios políticos".
Destinatário de um desses telegramas após a perda da ex-sogra, de aneurisma, o jornalista Flavio Gomes se revoltou com o fato de ter recebido a correspondência, na última sexta-feira.
"Solidarizo-me neste momento de dor e saudade. Que Deus lhe dê forças para superar esta perda irreparável", diz o texto.
O endereço do remetente é o da Câmara Municipal de São Paulo.
Resposta
A assessoria de imprensa da vereadora Edir Sales (PSD) negou que ela tenha obtido os dados pessoais do jornalista Flavio Gomes no Serviço Funerário Municipal.
Segundo a assessoria, todos as informações de pessoas que compõem seu cadastro foram colhidas por seus assessores ao longo de 12 anos de carreira política.
Antes de ser vereadora, Edir foi deputada por dois mandatos --um pelo PL e o outro pelo PMDB.
"É importante salientar que a vereadora foi radialista por muitos anos, tendo contato com diversos jornalistas e meios televisivos", diz a nota enviada pela assessoria de imprensa da parlamentar.
A assessoria negou, também, que esses "telegramas de condolências" sejam bancados com dinheiro público. Segundo ela, essas correspondências são pagas por seus "escritórios políticos". A assessoria não soube informar, no entanto, a origem do dinheiro.
Sobre o episódio, a vereadora disse ter "lamentado profundamente o ocorrido, uma vez que a intenção de sua assessoria foi somente a de prestar solidariedade ao jornalista neste momento tão difícil". Por conta disso, assessoria disse que a parlamentar ordenado a suspensão desse tipo de telegrama.
Segundo ela, o envio desse tipo de correspondência "não é comum ou recorrente", sem informar quantos deles já foram remetidos no mandato."

sábado, 7 de abril de 2012

Declaração de amor- Martha Medeiros



Declaração de amor funciona.
Não é varinha de condão, não faz mágica, mas jamais passa despercebida.
Todo mundo, não importa a idade, o sexo ou o estado civil, quer ser amado.
Podemos até já ser muito amados, mas queremos mais.
Mas mesmo quando a gente desperta o interesse em quem não nos atrai, ainda assim isso mexe favoravelmente com nosso ego. E esta pessoa deixa de ser um ninguém.
Um cara ou uma garota chega perto de você e diz com todas as letras
que você é a pessoa mais importante da vida dela,
que te ama pra caramba e pede para que,
se você um dia achar possível retribuir esse sentimento, mande avisar.
Vira as costas e vai embora. Cacilda. Você só vai debochar dessa criatura se for muito tosco.
Se você o achava um idiota, pense duas vezes: este idiota se amarrou em você,
então não deve ser tão idiota assim.
Apaixonou-se? Declare-se.
Pode dar em nada, mas garanto que você vai ficar na cabeça de alguém
o tempo necessário para ele considerar a hipótese.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Quero - Gabriel G Márquez

Quero grandes histórias e estórias
Quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada
Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira
Mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer
E me fazer crêr que é para sempre
Quando eu digo convicto que "nada é para sempre".

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Timidez no amor- Carpinejar










"No momento em que a gente ama,
é difícil não sentir timidez ao mostrar a nudez.
Quem não tem vergonha não ama.
Não é questão de deixar acesa a luz do quarto ou não,
e sim de deixar o corpo aceso ou não.
Um comedimento de se doar por inteiro, de se expor.
Duvido daqueles que não sofrem do embaraço
com o que ainda desconhecem do próprio corpo,
das vontades da pele."


in “O Amor Esquece de Começar”

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O tempo - Stephenie Meyer




"O tempo passa.
Mesmo quando isso parece impossível.
Mesmo quando cada batida do ponteiro dos segundos dói como
sangue pulsando sob um hematoma.
Passa de modo inconstante,
com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa.
Até pra mim."

terça-feira, 3 de abril de 2012

Uma pitada de Martha Medeiros...



"Ser feliz de uma forma realista
é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas,
trabalhar sem almejar o estrelato,
amar sem almejar o eterno."

Nós- Caio Fernando Abreu



"Também não sei o que me prende tanto a você.
Deve ser justamente essa impossibilidade de sermos,
finalmente, nós..."

O Amor?- Fernanda Young

 
 
"... bosta de carência básica infantil, que nos torna para sempre patéticos,
jamais capazes de vencer essa necessidade de alcançar o amor.
O amor, o amor, o amor.
Vá para a puta que o pariu o amor.
Todo esse imperativo de amar é puro masoquismo.
De ser amado, mero sadismo.
Os fatos simplesmente são como são:
Amar é mais importante até que ser amado,
amar faz com que a gente tente ser melhor pra conquistar o outro
e acaba conquistando o mundo."