quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Meu momento inesquecível em 2009...

Feliz 2010!!!!


Mais um ano se finda e gostaria de agradecer a todos vocês que continuaram a visitar o "Todo Amor.." em 2009. Não postei com a frequência de outrora, mas continuo tendo este espaço como meu xodó. Quem sabe em 2010, eu venha mais por aqui....
Quero também desejá-los um ano novo repleto de alegria e harmonia!!!
E termino com Drummond:

Tempo em Fatias
"Quem teve a idéia de contar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial...
industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar
no limite da exaustão.
Doze meses dão pra qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra a renovação!!!
Tudo começa outra vez.
Com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui por diante vai ser diferente."

Carlos Drummond de Andrade


Oração prá serenidade - Clarice Lispector


"Alivia a minha alma,
faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha,
faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade,
faze com que eu sinta que amar é não morrer,
que a entrega de si mesmo não significa a morte,
faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária,
faze com que eu não Te indague demais,
porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta,
faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito,
faze com que eu receba o mundo sem receio,
pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso,
mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la,
abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como,
o sono que durmo,
faze com que eu tenha caridade por mim mesma,
pois senão não poderei sentir que Deus me amou,
faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte
haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém."

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Anotações sem papel-Carpinejar


A barba avança independente do que deixe para trás.
Eu tive várias vidas mas não terminei nenhuma delas.
O que sei serve apenas para me duvidar.
Temos pouco tempo para nos entender, não entendo como sobra tempo para nos explicar. Deveríamos dar ao amor a mesma religião do ódio. Quem odeia vai toda hora visitar um nome.
A primeira infância não é a primeira morte. Há datas que Deus nos paga a conta.
Deus não chega com a dor, Deus é quando falta ar para rir.
Escolher é desafiar a si mesmo a excluir justamente o que gostaríamos de dizer.
Escrevo como quem mexe na horta. As unhas não lavam as mãos.
A neblina é um rio que anda de barco. O mar sempre devolve o que não conseguiu engolir.
A terra tem mais estômago.
Sinto pena das árvores que são encontradas dias depois de sua morte.
Elas cheiram os frutos que não germinaram. Não isolo o que vivi do que imaginei ter vivido.
A poesia é a desistência de explicar. Eu dormi mais do que as palavras sonharam.
A chuva vem para lermos a casa.
Intimidade é conversar na mesa de café e apoiar o cotovelo em farelos de pão.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Amor bastante- Paulo Leminski


Quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade,
eu e você,
caminhando junto...

Talvez- Pablo Neruda


Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão que, talvez,
outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante conhecer a minha vida,
rajada de roseira,trigo do vento,
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei...
Serás...
Seremos...

Parabéns Lalá!!!


Eita Lalá!!! Quero só te deixar um beijo de Feliz Aniversário e dizer que te amo pra cacete!!! Há um ano, numa noite mágica, seus amigos e familiares ser reuniam ao seu redor para brindar à vida!!! Obrigado pelos momentos vividos de maneira tão intensa. Pelo carinho e pelos esporros... Você sempre será nossa meiga e doce Lalá!!!!

Um beijo....

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A um ausente- Drummond


Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave

do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso,
voz modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.


Para meu irmão Léo, que há 8 anos fez a sacanagem de ir embora antes da hora.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Digitais-Isabella Taviani

Homem rosa, mulher azul - Fabrício Carpinejar


O homem é ensinado a ser homem se opondo à mulher.
Tudo o que é de mulher não é do homem. Tudo o que é do homem não é da mulher.
Joga-se o menino contra as meninas, não são eles que não se dão bem,
são os pais e próximos que os diferenciam de modo ostensivo.
Os preconceitos são invisíveis e não menos duros.
Há brincadeiras para cada um dos sexos na escola.
Futebol é para meninos, bonecas para meninas.
Não poderia brincar de casinha,
que alguma professora já me dizia que meu lugar era no campinho.
Levar carrinho de bebê, então, nem se fala (como se o homem não pudesse exercitar a paternidade logo cedo e fosse exclusividade da garota).
Formam-se rodas, panelinhas e grupos por gênero, em que é aconselhável não se misturar.
Com o pretexto de evitar a malícia e fortalecer identidades, corta-se os cabelos da boca.
Segredo de homem, segredo de mulher. Menino mija de pé, menina mija sentada.
Desde o começo, o homem entende que para ser homem não pode ser mulher. Só isso.
Não ensinam o que é ser homem, ensinam o que não é ser homem.
Ele entende errado, entende a aparência de ser homem,
ao invés de entender que para ser homem deve ser com a mulher.
É incitado a se separar, a brigar, a teimar, a não pintar as unhas, a fazer programas diferentes,
a não gostar de lojas, a não chorar em público, a não conversar demais,
a não expor seus sentimentos, a ser forte e frio, a carregar peso, a brigar com os punhos.
Ser homem condicionou-se a uma oposição à mulher,
cristalizado na figura de adversário feminino.
Eu não podia jogar amarelinha porque não era coisa de homem.
Eu não podia jogar cinco marias porque não era coisa de homem.
Até dançar, não me caía bem. Não notamos, mas criamos homens destinados a odiar a mulher. Não para amar naturalmente a mulher.
Destinados a trapacear, a fingir, a mentir, a trair,
a fugir das verdades quando elas pedem uma mudança. O depois é o antes.
Foram criados para se esconder, para se separar,
para evitar os laços mais estreitos e a familiaridade dos costumes.
Formados para não se envolver.
Recebem advertência vitalícia e implícita de que não é possível se aproximar muito dos gostos e predileções femininas,
de que é preciso manter distância, sob a pena de colocar em risco sua masculinidade.
O homem tem dificuldades de se relacionar mais do que dificuldades de relacionamento.
Está sempre sendo julgado pela sua conduta.
Se altera seu figurino e anda mais à vontade, já começa o zunido de que trocou de sexo.
Aceita-se papéis misóginos sem perceber,
aceita-se que há apenas dois banheiros e duas vidas diferentes para entrar e seguir.
As fronteiras começam antes do nascimento, na separação do enxoval azul do rosa.
Desde quando o homem não é rosa e a mulher não é azul?

sábado, 12 de dezembro de 2009

De qualquer maneira- Isabella Taviani

Fragmento - Caio Fernando Abreu


"Mas quando desvio meu olho do teu,
dentro de mim guardo sempre teu rosto
e sei que por escolha ou fatalidade,
não importa,
estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim (...)"

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sentimento de amor - Joshua Cooke


O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano à perfeição. Como são sábios aqueles que se entregam às loucuras do amor!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O sofrimento - Robin S Sharma


"É absolutamente compreensível que o sofrimento não nos agrade quando nos bate à porta,mas a verdade é que nos faz muito bem:racha a concha que reveste o nosso coração e despoja-nos das mentiras a que nos agarrámos no que respeita à pessoa que somos,à razão porque estamos neste mundoe ao modo como este nosso mundo extraordinário funciona realmente."

Sobre verdades e amor - Cáh Morandi


O amor nunca vem antes, não há oração, coração ou simpatia para que ele se anteceda.
Vencer a nós mesmos, vencer a própria pressa, suportar e decifrar o descaso e descanso da hora. Esperar. Esperar como se não tivessemos urgência,
esperar como se a espera fosse o último motivo de não ir para frente.
O amor nunca vem antes.
Nunca antes da paixão, nunca antes da primeira oportunidade para pular do barco,
nunca antes de conhecer o outro tão fundo a ponto de desistir.
O sentimento seleciona ou anula,
e entre um sim ou um não a linha é tão tênue e ao mesmo tempo um enorme abismo.
Sim ou não. Uma escolha rende a história de uma vida, ou de duas.
Escolher quando a chance de ser escolhido é bem maior.
O amor nunca vem antes...
sempre virá depois do que pensamos ser amor.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fim de semana Cazuza

Martha Medeiros


"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

Martha Medeiros

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Medo....


"Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez.Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros.

Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção.

Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar.

Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia.

Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza.Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam.

Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado.Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas.

Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você.

Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele.

Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la.

Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram.Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha.

Você tem medo de já estar apaixonada..."


Trecho do livro "O amor esquece de começar" de Fabrício Carpinejar

Clarice Lispector- "Não entendo"


Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.

Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.

É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.


Clarice Lispector

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ouse-Mark Twain


"Daqui há vinte anos você estará mais desapontado com as coisas que não fez
do que com as que fez.
Então jogue fora os limites.
Navegue para longe do porto seguro.
Sinta os ventos em suas velas.
Explore.
Sonhe.
Descubra."

Sessão Nostalgia