sábado, 26 de setembro de 2009

Barão e Cazuza..

A alegria na tristeza- Martha Medeiros


"O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil. O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la. Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir. Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora. Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento. Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada. "

Lya Luft na manhã de sábado...


"A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida.
Eu gostaria que na correria da época atual a gente pudesse se permitir,
criar, uma pequena ilha de contemplação,
de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas:
com mais generosidade, mais otimismo, mais respeito, mais silêncio, mais prazer.
Mais senso da própria dignidade, não importando idade, dinheiro, cor, posição, crença.
Não importando nada. "
in O Ponto Cego.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Para fechar a sexta...


Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado.Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram.Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada...
Fabrício Carpinejar em "O Amor Esquece de Começar"

Abraço- Vinicius de Moraes

"De repente deu vontade de um abraço...
Uma vontade de entrelaço,
de proximidade, de amizade... sei lá...
Talvez um aconchego que enfatize a vida
e amenize as dores...
Que fale sobre os amores,
que seja teimoso e,
ao mesmo tempo, forte.
Deu vontade de poder rever,
saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo
e preencha todo espaço
mas que faça lembrar do carinho,
que surge devagarzinho
da magia da união dos corpos,
das auras... sei lá...
Lembrar do calor das mãos,
acariciando as costas,
a dizer: "estou aqui."
Lembrar do trançar
dos braços envolventes
e seguros afirmando:
"estou com você"...
Lembrar da transfusão de forças
com a suavidade do momento...
sei lá...abraço...abraço...abraço...
abraço... abraço...abraço...
abraço..abraço...abraço...
O que importa é a magia deste abraço!
A fusão de energia que harmoniza,
integra tudo, e que se traduz
no cosmo, no tempo e no espaço.
Só sei que agora
deu vontade desse abraço
Que afaste toda e qualquer angústia.
Que desperte a lágrima da alegria,
e acalme o coração
Que traduza a amizade,
o amor e a emoção...
E, para um abraço assim,
só pude pensar em você...nessa sua energia,
nessa sua sensibilidade,
que sabe entender o porquê...
dessa vontade desse abraço... "

Para minha querida amiga de muitas vidas, Patricia, que hoje faz aniversário.
Um abraço!!!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Neruda no fim de tarde


"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi:
não soube que ias comigo,
até que as tuas raízes atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca, floresceram comigo."
Há exatos 36 anos, o poeta chileno Pablo Neruda nos deixava.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Recomeçar- Amyr Klink


"A pior coisa que pode acontecer na vida de uma pessoa não é quando seu projeto não dá certo, seu plano de ação não funciona ou quando a viagem termina no lugar errado. O pior é não começar. Esse é o maior naufrágio."

Entre olhares- Guimarães Rosa

"Já não se encontrarão os meus olhos nos teus olhos.
Já não se adoçará junto a ti a minha dor,
mas por onde for levarei o teu olhar
e para onde fores levarás a minha dor."

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Reflexão- Gabriel Garcia Márquez



"Queira Deus que conheças muita gente errada antes de conheceres a pessoa adequada, para que quando por fim a conheças, possas estar agradecido..."

Desencanto- Manuel Bandeira


"Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha meu livro, se por agora
Não tens motivo algum de pranto.
Meu verso é sangue , volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias.
Amargo e quente,
Cai, gota à gota, do coração.
E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca
—Eu faço versos como quem morre."

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Doce medo- Lya Luft

"Tenho medo da dor de tua ausência
que me queima por dentro.
E da ternura eu tenho medo,
dessa beleza das noites secretas
quando chegas sempre como se fosse a única vez.
Tenho medo de que um dia queiras cessar
esse rio de águas ardentes
onde mais do que os corpos tocam-se as almas,
anjos desatinados luzindo no breu. "

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

NamoroFOBIA- Danusa Leão

"A praga da década são os namorofóbicos. Homens (e mulheres) estão cada vez mais arredios ao título de namorado, mesmo que, na prática, namorem.Uma coisa muito estranha. Saem, fazem sexo, vão ao cinema, frequentam as respectivas casas, tudo numa freqüência de namorados, mas não admitem.Têm alguns que até têm o cuidado de quebrar a constância só para não criar jurisprudência, como se diria em juridiquês.Podem sair várias vezes numa semana, mas aí tem que dar uns intervalos regulamentares, que é para não parecer namoro.- É tua namorada?- Não, a gente tá ficando.- Ficando aonde, cara pálida?Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, como se o título fizesse o monge, como se namorar fosse outorgar um título de propriedade.Devem temer que ao chamar de namorada (o) a criatura se transforme numa dominadora sádica, que vai arrastar a presa para o covil, fazer enxoval ,comprar alianças, apresentar para a parentada toda e falar de casamento - não vai.Não a menos que seja um (a) psicopata. Mais pata que psico. Namorar é leve, é bom, é gostoso. Se interessar pelo outro e ligar pra ver se está tudo bem, pode não ser cobrança, pode ser saudade, vontade de estar junto, de dividir.A coisa é tão grave e levada a extremos que pode tudo, menos chamar de namorado. Pode viajar junto, dormir junto, até ir ao supermercado junto (hámeses!), mas não se pode pronunciar a palavra macabra: NAMORO.Antes, o problema era outro: CASAMENTO.Ui. Vá de retro! Cruz credo! Desafasta.Agora é o namoro, que deveria ser o test drive, a experiência, com toda a leveza do mundo.Daqui a pouco, o problema vai ser qualquer tipo de relacionamento que possa durar mais que uma noite e significar um envolvimento maior que saber o nome.Do que o medo? Da responsabilidade? Da cobrança? De gostar? Sempre que a gente se envolve com alguém tem que ter cuidado...Não é porque 'a gente tá ficando' que não se deve respeito, carinho e cuidado. Não é porque 'a gente tá ficando' que você vai para cama num dia e no outro finge que não conhece e isso não dói ou que não é filha da putice.Não é porque 'a gente tá ficando' que o outro passa a ser mais um número no rol das experiências sexuais - e só.Ou é? Tô ficando velha? Se estiver, paciência."

Amar o inútil


"É preciso amar o inútil.
Criar pombos sem pensar em comê-los,
plantar roseiras sem pensar em colher rosas,
escrever sem pensar em publicar,
fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta,
mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas da vida. A música. Este céu que nem promete chuva. Aquela estrelinha nascendo ali... está vendo aquela estrelinha?
Há milênios não tem feito nada, não guiou os reis magos,
nem os pastores, nem os marinheiros perdidos... apenas brilha.
Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil.
Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a beleza."

Trecho do romance "Ciranda de Pedra", de Lygia Fagundes Telles.

Equilíbrio da vida- Machado de Assis


“E enquanto uma chora, outra ri;
é a lei do mundo, meu rico senhor;
é a perfeição universal.
Tudo chorando seria monótono,
tudo rindo cansativo,
mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas,
soluços e sarabandas,
acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária,
e faz-se o equilíbrio da vida"


in Quincas Borba

domingo, 13 de setembro de 2009

Até o fim- Engenheiros do Hawaii

Seja um idiota


A idiotice é vital para a felicidade.Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele. Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor,dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto .Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahaha!...
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas.E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida,não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva.Pule corda!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque,rir alto e lamber a tampa do iogurte.Ser adulto não é perder os prazeres da vida e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um leitinho gostoso agora?"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios".
"Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche"
Autoria desconhecida

sábado, 12 de setembro de 2009

Ira e ódio- Schopenhauer


"Deixar transparecer a ira ou o ódio em palavras ou expressões faciais é inútil,
perigoso, pouco inteligente, ridículo e vulgar.
Sendo assim, a ira ou o ódio devem ser demonstrados unicamente nas ações,
e isso poderá ser feito tão mais perfeitamente
quanto mais perfeitamente forem evitadas as atitudes anteriores. "
in "A Arte de Ser Feliz"

Chico Buarque- O meu amor

Atos e consequências- José Saramago


Se podes olhar vê, se podes ver, repara.…
se antes de cada ato nosso,
nos puséssemos a prever todas as consequências dele,
a pensar nelas a sério,
primeiro as imediatas,
depois as prováveis,
depois as possíveis,
depois as imagináveis,
não chegaríamos sequer a mover-nos
de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar."
in Ensaio sobre a cegueira

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Por quem merece amor



Um fim de semana dedicado à boa música feita em nosso Brasil. Começo hoje com o espetacular grupo MPB-4, de lembranças familiares maravilhosas ....

Uma pitada de Quintana



"Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece…Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto..."

Não entendo- Clarice Lispector

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nem tudo é fácil- Cecília Meireles



É difícil fazer alguém feliz,
assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo,
assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor,
assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje,
assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom,
assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz,
assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir,
assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém,
assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão?
Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...É difícil perdoar?
Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...É difícil entregar-se?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...
Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos,
mas também tornemos todos esses desejos, realidade!

Cecília Meireles

Blog novo

A professora, educadora, escritora e palestrante espírita Alcione Peixoto voltou hoje com seu blog " Amor: fonte de toda a verdade". Fico muito feliz pois sei o quanto minha mãe é querida e poderá ajudar a muitas pessoas com mensagens de paz e acalanto neste espaço.
Clique aqui e conheça.

Guimarães Rosa


"O correr da vida embrulha tudo,

a vida é assim:

Esquenta e esfria,

Aperta e afrouxa,

Sossega e depois desinqueta.

O que ela quer da gente é CORAGEM."

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ternura- Vinícius de Moraes


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade
o olhar extático da aurora.

sábado, 5 de setembro de 2009

Saudade

"A saudade é esse passarinho que vem de leve e pousa no nosso coração trazendo lembranças, como um colibri que beija a flor e traz beleza. E ela nem escolhe hora ou lugar, só aparece assim, invadindo inteiramente esse espaço que consideramos reservado às pessoas ou ocasiões especiais. Mas se existe saudade, é porque existem sementinhas de ternura plantadas em nós;pedacinhos de coisas boas, que talvez nem tenham ficado muito tempo,mas o suficiente para deixar um rastro, um sabor, uma marca, um perfume. Outro dia, falando sobre a saudade que sinto da minha família virtual,ouvi, com surpresa, alguém dizer que não é possível sentir saudade de pessoas que nunca vimos. E como não? Que nome dar então a essa falta,esse vazio nostálgico, dolorido e bom que invade a alma e toma conta do momento?Essa viagem que fazemos sem malas e documentos e que nos leva e nos trás,cheios de amor e de não sei o quê?A saudade é uma prova, um certificado, carimbado e assinado embaixo de que não estamos inteiramente sós e nem vazios. As pessoas vêm e vão e ficam assim se prolongando em nós, existindo pela eternidade do nosso caminho.E amanhã ou depois, quando tudo o que sobrar em nós forem pedaços do passado, teremos esse coração rico em histórias que nos farão rir sozinhos e nos sentir vivos.São essas as peças que os verdadeiros amigos pregam ao nosso coração.Caímos nessa armadilha e ainda nos divertimos.Aprendemos assim que sentir saudade é respirar o amor que plantaram em nós.É viver depois repletos desse amor para a vida toda. "
Letícia Thompson

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Jeito de mato- Paula Fernandes e Almir Satter



Ampliando um pouco os horizontes....
Quem me conhece sabe bem que não sou fã de música sertaneja, mas é impossível ficar indiferente à esta bela canção interpretada por Paula Fernandes e Almir Satter.

Jardins e indiferença- Mário Quintana

"Todos os jardins deviam ser fechados,
com altos muros de um cinza muito pálido,
onde uma fonte pudesse cantar sozinha
entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim não é mesmo
alguma ausência nem o abandono...
O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por eles passa indiferente. "

Meu amigo - Gibran Khalil Gibran

“Meu Amigo, não sou o que pareço.
O que pareço é apenas uma vestimenta cuidadosamente tecida,
que me protege de tuas perguntas e te protege da minha negligência.Meu Amigo, o Eu em mim mora na casa do silêncio,
e lá dentro permanecerá para sempre, despercebido, inalcançável.
Não queria que acreditasses no que digo nem confiasses no que faço
– pois minhas palavras são teus próprios pensamentos em articulação e meus feitos,
tuas próprias esperanças em ação.Quando dizes: “O vento sopra do leste”,
eu digo: “Sim, sopra mesmo do leste”,
pois não queria que soubesses que minha mente não mora no vento, mas no mar.
Não podes compreender meus pensamentos, filhos do mar,
nem eu gostaria que compreendesses. Gostaria de estar sozinho no mar.Quando é dia contigo, meu Amigo, é noite comigo.
Contudo, mesmo assim falo do meio-dia que dança sobre os montes
e da sombra de púrpura que se insinua através do vale:
porque não podes ouvir as canções de minhas trevas
nem ver minhas asas batendo contra as estrelas
– e eu prefiro que não ouças nem vejas.
Gostaria de ficar a sós com a noite.Quando ascendes a teu Céu, eu desço ao meu Inferno
– mesmo então chamas-me através do abismo intransponível,
“Meu Amigo, Meu Companheiro, Meu Camarada”,
e eu te respondo: “Meu Amigo, Meu Companheiro, Meu Camarada”
– porque não gostaria que visses meu Inferno.
A chama queimaria teus olhos, e a fumaça encheria tuas narinas.
E amo demais meu Inferno para querer que o visites. Prefiro ficar sozinho no Inferno.Amas a Verdade, e a Beleza, e a Retidão.
E eu, por tua causa, digo que é bom e decente amar essas coisas.
Mas, no meu coração rio-me de teu amor. Mas não gostaria que visses meu riso.
Gostaria de rir sozinho. Meu Amigo, tu és bom e cauteloso e sábio.
Tu és perfeito – e eu também, falo contigo sábia e cautelosamente.
E, entretanto, sou louco. Porém mascaro minha loucura.
Prefiro ser louco sozinho: Meu Amigo, tu não és meu Amigo,
mas como te farei compreender? Meu caminho não é o teu caminho.
Contudo juntos marchamos, de mãos dadas”.

Recado


"Quando quiseres me amar
não escolhas tempo nem lugar.
Quando chegares, diremos baixinho
o soneto de todos os amantes.
Faremos de nossos dedos
demiurgos recriando a noite,
em régua e compasso transformaremos nossas mãos.
Inventaremos uma geometria do amor:
procuraremos a linha reta de nossos olhares,
apararemos as arestas de nossos corpos,
em quinas e ângulos uniremos nossas bocas
,e num ponto qualquer fixaremos o azulado das manhãs.
Quando quiseres me amar,
não escolhas tempo nem lugar.
Deixarei a porta aberta,
a casa limpa,
uma saudade te esperando em cada canto."
Carlos A. Jales