domingo, 24 de abril de 2011

Amor e seu tempo - Carlos Drummond de Andrade


"Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida.
Amor começa tarde. "


in "Alguma poesia"

Você e o mundo - Ghandi



"Não tente adivinhar o que as pessoas pensam a seu respeito.

Faça a sua parte, se doe sem medo.

O que importa mesmo é o que você é.

Mesmo que outras pessoas não se importem.

Atitudes simples podem melhorar sua vida.

Não julgue para não ser julgado.

Um covarde é incapaz de demonstrar amor- isso é privilégio dos corajosos."

Pois é..



E-mail que recebi de um amigo nostálgico....rs

sábado, 23 de abril de 2011

Pacto- Carpinejar

Sou um desvairado. Aposto em casamento.
Mergulho em saideiras intermináveis na mesa de bar e apanho porque sou minoria.
Meu chope tem colarinho de padre. É enlouquecedor convencer alguém que usa sua experiência. É como se a experiência fosse um argumento incontestável. Já reneguei muita lembrança que não me acrescentou em nada. Nem toda experiência ensina, que mania a de se vangloriar do passado apocalíptico e jogar na cara: eu vivi dois casamentos, sei do que falo.
Faz favor, há coisas que vivo que apenas me tiram as palavras. Se alguém tem propriedade no assunto é Thiago de Mello, que casou trinta vezes, mais ninguém. Nem eu.
Amo casamento com todo peso da árvore feminina da família. Torna qualquer detalhe revelador, chance de traficar ternura na necessidade de comprar gás ou arrumar o portão da garagem. Perguntar que horas ela volta é uma preocupação comovente, de quem deseja ficar mais tempo junto. O que são os problemas perto da alegria de poder contá-los para sua mulher?
O amor é simples, tão simples que fingimos sabedoria ao dificultá-lo.
Mas os céticos estão em vantagem. Eu é que sou o conservador. Defender uma relação fechada é hoje impronunciável, uma burrice. Acabo calado por vaias e ‘deixa disso’.
Pareço um moralista, uma carmelita, um torcedor do América de MG.
Não aguento o pessimismo pré-datado. A gente entrega a indisposição nos medos mais óbvios.
"Se você me trair, promete me contar?"
A questão já coloca a infidelidade como certa. Contar ou não confessar passa a ser o dilema.
Não se confia mais na fidelidade, mas somente na franqueza. Vamos adaptando os princípios.
O mesmo é resmungar que o homem não é monogâmico, não adianta tentar. É aceitar que ele não tem escolha, de que se trata de um condicionamento biológico, uma maldição darwiniana.
Nem mais encontro vestidos de noiva em vitrine. Até os manequins estão solteiros. Casamento é posto como cativeiro, como subtração de direitos e multiplicação dos deveres. É uma felicidade passageira, de doente terminal. O matrimônio deveria abandonar o contrato. O contrato existe para terminar, resguardar o final e sair ileso. É proteção desde o princípio.
Ao embarcar, já estamos reagindo às escolhas do naufrágio.
Casamento mudaria com a adoção do pacto. Isso: pacto! Por que unicamente o mal faz pacto? Um pacto do bem. Sei que há pacto com diabo, mas nunca vi pacto da virtude.
É usar o conhecimento siciliano. No pacto da máfia, realmente funciona a sentença:
"até que a morte nos separe". É o único lugar que a frase tem sentido.
É sangue com sangue, mindinho com mindinho. Não se oferece o indicador de propósito, para valorizar as pequenas causas. A aliança tem que ser o próprio dedo. Não há como tirar o dedo no motel.
O pacto são dois num só apelo, diferente do contrato que é cada um por si.
O pacto é palavra, o contrato é letra. A palavra é lembrança, a letra é cobrança.
O pacto é confiança, o contrato é obrigação. No contrato, se pode sair a qualquer hora.
No pacto, a saída é sempre pela honra.

Sobre o Transtorno obsessivo-compulsivo

De acordo com um estudo divulgado no periódico Deutsches Ärzteblatt International, lavar as mãos compulsivamente é a manifestação obsessivo-compulsiva mais comum em crianças e adolescentes, presente em até 87% de todos os pacientes, porém de difícil diagnóstico. Entretanto, se identificada precocemente, as chances de recuperação aumentam. De acordo com a pesquisa, a terapia comportamental pode ser mais efetiva para essa identificação do TOC do que o método mais popularizado atualmente, o psicodiagnóstico.

O psicodiagnóstico é um método científico no qual o paciente é submetido a uma série de testes psicológicos que permitem a identificação e avaliação de aspectos específicos, assim como a elaboração da melhor forma de intervenção para o paciente psicodiagnosticado. No entanto, segundo os autores, o tratamento a partir desta via é muito mais demorado.

Métodos combinados garantem a eficácia

Os métodos terapêuticos comportamentais têm se mostrado eficazes. Na terapia comportamental o paciente se depara com situações que antecedem a manifestação obsessivo-compulsiva, mas a manifestação é interrompida.

Um tratamento complementar – também chamado de segunda linha – também é indicado, sendo composto de intervenção terapêutica comportamental combinada com a administração de fármacos – como os usados no tratamento de síndromes depressivas, transtornos de ansiedade e alguns tipos de transtorno de personalidade.

Os autores afirmam que, mesmo após a conclusão de um período de tratamento intensivo, os pacientes ainda precisaram de psicoterapia ou terapias combinadas para evitar a repetição posterior. “O transtorno obsessivo-compulsivo é multifatorial, com fatores psicológicos, neurobiológicos e genéticos desempenhando papéis diferentes”, apontam os autores. A intervenção, portanto, também não pode ser única, mas combinada de forma a tratar a globalidade do transtorno.

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com informações da Deutsches Aerzteblatt International

domingo, 17 de abril de 2011

Vida inteligente

Pessoa

Um Deus que sorri- Rubem Alves

Eu acredito em Deus! Mas não sei se o Deus em que eu acredito, é o mesmo Deus em que acredita o balconista, a professora, o porteiro, o bispo ou pastor... O Deus em que acredito não foi globalizado. O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém. É uma idéia, uma energia, uma eminência. Não tem rosto, portanto não tem barba. Não caminha, portanto não carrega um cajado. Não está cansado, portanto não está sempre no trono. O Deus que me acompanha vai muito além do que me mostra a Bíblia. Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova. O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade. O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos. Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras. Nossa penitência é a reflexão. Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo. O Deus em que acredito não condena o prazer. O Deus em que acredito não me abandona, mas me exige mais do que uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros. A cruz pesa onde tem que pesar: dentro. É onde tudo acontece e este é o Deus que me acompanha: Um Deus simples. Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe tudo e vê tudo. Meu Deus é discreto e otimista. Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso: de um abraço numa amizade, uma música na hora certa, um silêncio. O Deus que eu acredito também não inventou o pecado, ou a segregação de credo. E como ele me deu o Livre-Arbítrio, sou eu apenas que respondo e responderei pelos meus atos.

sábado, 16 de abril de 2011

Eu não sei dançar

Fim de semana Marina Lima- "Grávida"

Continuando com nosso fim de semana Marina Lima, "Grávida".

A língua é minha pátria!!!


Da BBC Brasil:

"Uma língua indígena ameaçada de extinção no sul do México corre o risco de desaparecer depois que dois idosos, últimos fluentes no idioma, tiveram uma desavença e pararam de conversar entre si. Os idosos, ambos de aproximadamente 70 anos, moram na vila de Ayapan, em Tabasco. Eles são os únicos que falam a versão local da língua indígena Zoque, em extinção.



Fernando Nava, chefe do Instituto de Línguas Indígenas do México, usou este exemplo para alertar sobre outras línguas indígenas que correm o risco de desaparecer no país. Atualmente, mais de 20 línguas estão em perigo de extinção no México. Segundo Nava, os dois únicos indígenas com fluência no Zoque "não são inimigos, mas estão distantes". "São duas pessoas que têm poucas coisas em comum", disse ele.


Outras línguas com a mesma raiz lingüística são faladas nos estados mexicanos de Veracruz, Oaxaca e Chiapas. A tribo de índios Zoque é descendente dos Olmecas e seus membros se espalharam pela região sul do México. Funcionários do Instituto de Línguas Indígenas estão tentando treinar a comunidade de Ayapan para reintroduzir o Zoque em seu meio.


Eles também têm esperança que os dois idosos transmitam o conhecimento da língua para suas famílias. Além disso, como forma de registro, o Instituto também está gravando pessoas conversando na língua. Para Nava, "em alguns anos, esperamos ter novos faladores do idioma". O México é um dos países do mundo com mais diversidade de línguas. Mais de 350 línguas indígenas são faladas no território mexicano. De acordo com a ONU, uma língua desaparece a cada duas semanas no mundo. "

Lula X FHC de novo???


Nota da jornalista Mônica Bérgamo, em sua coluna na Folha de São Paulo:

"Fernando Henrique Cardoso volta a disparar.


Em entrevista ao jornalista Alexandre Machado em seu programa "Começando o Dia", que estreia na rádio Cultura FM, na segunda, desafia Lula para disputar uma eleição contra ele. Diz que o petista, "lá de Londres, refestelado em sua vocação nova [de palestrante]", se "dá o direito de gozar" de FHC. "Ele se esquece que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo."

Charge do dia


Do Amarildo

O chamado




Mesmo com o Itaú me sacaneando de maneira contundente há 3 dias, aqui estou brindando o sol, a vida, a música, nesta linda manhã de sábado. Há uma semana, eu e Renata ganhamos do meu cunhado Gustavo alguns dvd's. E um deles não para de rolar no carro e agora me acompanha neste começo de dia: Marina Lima Acústico MTV. Sempre tive Marina na minha lista de cantoras e compositoras prediletas nos anos 80 e 90. Ela andou sumida, dizem alguns, vítima de uma depressão que a deixou sem voz. Ou quase isso. Lembro-me de assistir a um show seu há uns 6,7 anos no Jardim São Benedito, e realmente não era a mesma de anos antes. Mas neste dvd, gravado em 2003, ou seja, na mesma época, ela está demais! Logicamente que a tecnologia e a acústica ajudaram bastante. É arrebatador!! Mescla sucessos como "Prá Começar", "Pessoa" e "Ainda é cedo" com composições menos conhecidas, mas não por isso, menos especiais. O "Todo amor que houver nessa vida" dedica este fim de semana à esta puta cantora, que está novamente meio sumida, infelizmente. Começamos com a música predileta deste blogueiro: "O chamado".


Viva Marina!!!

domingo, 10 de abril de 2011

Heróis e Vilões- Lygia Fagundes Telles


"Não separe com tanta precisão os heróis dos vilões, cada qual de um lado, tudo muito bonitinho como nas experiências de química. Não há gente completamente boa nem gente completamente má, está tudo misturado e a separação é impossível. O mal está no próprio gênero humano, ninguém presta. Às vezes a gente melhora. Mas passa ... E que interessa o castigo ou o prêmio? ... Tudo muda tanto que a pessoa que pecou na véspera já não é a mesma a ser punida no dia seguinte."

sábado, 9 de abril de 2011

Aflição- Gibran Khalil Gibran

Nenhum de nós pronunciou uma palavra no resto daquela noite porque a aflição, quando se torna forte, torna-se muda. Permanecemos imóveis como duas colunas de mármore que um terremoto fincou na terra. Nenhum de nós queria que o outro falasse, pois os fios de nossos corações tornaram-se muito fracos, e até um gemido sem palavras poderia rompê-los. in "Asas Partidas (O primeiro Amor de Gibran) pág. 73