terça-feira, 29 de maio de 2012

Uma dose de Carpinejar...




Quando sua companhia se levanta, rola para cheirar o travesseiro dela?

Você é apaixonado por dividir, desculpe informar.

É constrangedor confessar a dependência, mas não resta alternativa.

Nunca será mais sozinho. É uma simbiose amorosa por dentro das lembranças, dos hábitos, que surge no modo de repartir uma tangerina e pôr o açúcar no café.

Uma necessidade de primeiro servir para depois saciar as próprias ansiedades.

Entregou os pontos ao abandonar seu horário para dormir. Renunciou ao livre-arbítrio no momento de atender ao chamado sedutor de sua esposa.

- É tarde, te espero?

Aquela desistência foi fatal. Pode ter classificado o gesto como uma exceção, só que gostou de verdade, gostou imensamente de adormecer com sua mulher. Ambos apagando o abajur em igual instante, depois de ler, de rir, de brincar. Sincronizaram o relógio dos batimentos cardíacos e nunca houve mais atraso de beijo.

Amor eterno é quando um não consegue mais dormir sem o outro. Simples assim. Deseja descansar, convoca sua mulher na sala.

- Vem, tá na hora!

E ela, que estava envolvida com um filme ou um programa de tevê, nem reclama, nem diz mais um minutinho, ajeita os ombros no cobertor do seu abraço e segue junto.

Lado a lado no espelho do banheiro, escovam os dentes, ajeitam o rosto, colocam roupas folgadas. Reina uma sincronia dos movimentos, uma disciplina na admiração. Alguns até confundem com tédio, porém, é intimidade: não precisa falar para se entender. Se silêncio com ódio é submissão, silêncio com ternura é concordância.

Escoteiros do casamento, entram no mar branco dos lençóis cada um do seu lado: ela pela margem esquerda, ele pela margem direita. E centram os corpos para fazer conchinhas encostando as cabeças.

Um casal apaixonado ocupa menos do que uma cama de solteiro: terminam agarrados, sobrepostos.

Você se dá conta de que não deita mais sozinho há décadas. É uma compulsão olfativa. Está no escritório trabalhando de madrugada e ela abre a porta para convidá-lo:

- Vem, tá na hora!

E não estranha a ordem, obedece, sequer medita sobre o motivo da adesão. Vai sem preguiça alguma, sem aviso de bocejo, ainda que não esteja com vontade, ainda que tenha uma porção de tarefas e problemas a resolver. Larga as urgências pela metade e se prontifica a acompanhá-la.

Casal quando se ama dorme na mesma hora. E não suportará morrer longe. O sonho é também morrer na mesma hora. Com as respirações próximas.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Facebook vira instrumento de vingança



 Uma pesquisa da City University, de Londres, provou que o Facebook é um dos "palcos" mais utilizados por pessoas que querem se vingar de outras. De acordo com o estudo, mais de dois terços dos entrevistados afirmaram que as mídias sociais são ferramentas ideais para propagar este tipo de ato.

Mais da metade dos entrevistados explicou ainda que já presenciou alguma situação do tipo, enquanto 38% disseram que eles próprios já usaram o Facebook e também o Twitter com este propósito. O diretor de sociologia da universidade, Frank Webster, acredita que o grande fator que pode incentivar este comportamento é o anonimato proporcionado pela web.

 “Responder a quem nos fez mal pela Internet é mais fácil, instantâneo e pode até ser feito com anonimato. As tecnologias online estão fazendo com que estes atos sejam cada vez mais comuns”, avaliou Webster. 

Os motivos são os mais variados possíveis. Um quarto dos entrevistados, por exemplo, afirmou que se vingou de amigos que os marcaram em fotos embaraçosas no Facebook. Outros 14% disseram que deram o troco nas pessoas que os removeram de suas listas no Facebook. De qualquer forma, a pesquisa comprova que as redes sociais se tornaram, sim, mais um grande "palco" para “lavar a roupa suja”.
 

 

 
Via Daily Mail

 

 

 

 

 

 

Charge da tarde- Duke

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Verde que te quero verde




Foto: Custódio Coimbra (O Globo)


As pessoas que vivem em contato com áreas verdes têm menos propensão a desenvolver asma e alergias, dizem pesquisadores finlandeses. Eles descobriram que bactérias boas para a saúde do homem aparecem em maior abundância em locais não urbanizados. A microbiologia fortalece o sistema imunológico, descreve o trabalho recém-publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS).

- Existem micróbios em todos os lugares, inclusive no ambiente construído, mas a composição deles é diferente entre os ambientes naturais e construídos pelo homem – disse Ilkka Hanski, da Universidade de Helsinque, um dos autores do trabalho, em entrevista à BBC.

A pesquisa se baseou em amostras de 118 adolescentes do leste da Finlândia. Os que vivem em fazendas ou em florestas tinham mais diversidade de bactérias na pele e menos alergias.

Entre as bactérias, um tipo de Gammaproteobacteria, chamada Acinetobacter, estaria fortemente ligada ao desenvolvimento de moléculas anti-inflamatórias. Por isso, Hanski defende a criação de áreas naturais e espaços verdes dentro das cidades, além de reservas naturais fora das áreas urbanas.

Fonte: O Globo







Charge do dia- Quinho


Esta charge foi feita originalmente para o Estado de Minas.



Do Kibeloco

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Para se privar do invisível - Carpinejar




Não é preciso ter razão para cantar.
Para dar ao corpo uma manhã mais tarde, uma noite mais úmida.
Para decorar a letra tremida da carne.
Canta-se como uma telha solta do telhado, para se confessar de alegria.
Canta-se para não dizer tudo o que resta a dizer.
Para não ser dito o que não cabe, para que sejam lidas as labaredas.
Canta-se para confundir o pão e os insetos, as mãos e os seios, os joelhos e ladeira da chuva. Canta-se para não dormir durante a leitura. Para roçar um vestido. Para se privar do invisível. Canta-se para não assentar o fundo, para retardar o caminho de regresso.
Canta-se para amar o que ainda nem nasceu, para interromper uma recordação triste.
Canta-se ainda que sem voz afinada, sem apetite.
Canta-se como uma poeira luminosa que sobe dos tapetes e que só é vista na infância ou quando se canta.
Canta-se com o relógio de árvore. Com as ervas mastigadas pelas águas, pela extensão dos cabelos. Canta-se pelo silêncio crespo do vinho, pelo vitral que há no vinho.
Canta-se pelas pedras onduladas das lâmpadas, para se apoiar na velhice das escadas.
Canta-se para ultrapassar a mágoa, para não ter motivos.
Canta-se para embaralhar a confiança e a carícia, desobedecer o ventre, injuriar com um beijo.
Canta-se para arrumar os ombros, ajeitar a gola, subir na grama.
Canta-se para alimentar o que não é letra. Para despedir-se do começo.
Canta-se para viver no mesmo dia dos lábios. Pela falta de equilíbrio dos segredos.
Canta-se para persistir quando era o momento de se apagar.
Canta-se para convencer o passado que ele ainda não imaginou o suficiente.
Canta-se para respirar mesmo sem ar. Para respirar debaixo de um corpo.