quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Temperamento-Eleanor Roosvelt


"A mulher é como um saquinho de chá.
Você nunca sabe se ela é forte até que entre em água quente".

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Visões -Julian Barnes


Passamos a vida vendo a nós mesmos e aos outros apenas parcialmente,
e sendo vistos apenas parcialmente por eles.
Quando nos apaixonamos, temos a esperança
– tanto egoisticamente quanto altruisticamente –
de que seremos, finalmente, verdadeiramente vistos: julgados e aprovados.
É claro que o amor nem sempre traz aprovação:
ser visto pode muito bem levar a uma não aceitação e a uma temporada no inferno (…)
Antigamente, nós nos consolávamos dizendo que o amor humano,
mesmo que breve e imperfeito,
era apenas um aperitivo da visão maravilhosa e perfeita do amor divino.
Agora ele é tudo o que temos, e precisamos nos contentar com nosso status rebaixado.
Mas ainda ansiamos pelo consolo, e a verdade, de sermos vistos de forma completa.
Isso daria um bom final, não daria?

no livro “Nada a Temer”

domingo, 9 de janeiro de 2011

Declaração de amor- Martha Medeiros


"Declaração de amor funciona. Não é varinha de condão, não faz mágica, mas jamais passa despercebida. Todo mundo, não importa a idade, o sexo ou o estado civil, quer ser amado. Podemos até já ser muito amados, mas queremos mais. Mas mesmo quando a gente desperta o interesse em quem não nos atrai, ainda assim isso mexe favoravelmente com nosso ego. E esta pessoa deixa de ser um ninguém. Um cara ou uma garota chega perto de você e diz com todas as letrasque você é a pessoa mais importante da vida dela,que te ama pra caramba e pede para que,se você um dia achar possível retribuir esse sentimento, mande avisar.Vira as costas e vai embora. Cacilda. Você só vai debochar dessa criatura se for muito tosco. Se você o achava um idiota, pense duas vezes: este idiota se amarrou em você,então não deve ser tão idiota assim. Apaixonou-se? Declare-se. Pode dar em nada, mas garanto que você vai ficar na cabeça de alguémo tempo necessário para ele considerar a hipótese."

Os pássaros- Luis Fernando Veríssimo

Um dos meus Hitchcocks favoritos é um dos filmes mais estranhos da história do cinema. Em "Os pássaros" o sempre explícito Hitchcock faz uma parábola obscura que só pode ser descrita como um prelúdio para o fim do mundo.

O filme é sobre os últimos dias de harmonia entre a Humanidade e a Natureza e termina — como nenhum outro filme do Hitchcock — sem resolução ou explicação, pois o único fecho adequado seria o Apocalipse.

Numa pequena cidade da costa californiana, os pássaros começam a atacar as pessoas. Ninguém sabe por quê, e o filme acaba sem que se saiba por quê. É uma história de horror sem vilões. Um filme com violência e mortes em que não aparece uma arma, salvo os bicos dilacerantes dos pássaros.

Já se disse que "Os pássaros" é, antes de mais nada, sobre a conhecida misoginia do Hitchcock, já que no filme as mulheres são os alvos preferidos das bicadas.

E tudo começa com a chegada na pequena e idílica Bodega Bay de uma loira vinda da cidade grande que irá se intrometer na rotina do lugar e subverter a ordem natural das suas relações antigas, e concentrar a fúria das aves. Mas o filme vai além do que o Hitchcock gostava de fazer com loiras. Algo está sendo anunciado. Algum desconcerto está sendo vingado.

Li que pássaros mortos estão caindo do céu em regiões dos Estados Unidos e da Suécia. Ainda não se sabe a causa das mortes.

Como no filme do Hitchcock — especula-se, pois o próprio Hitchcock não deve ter entendido bem o que estava fazendo —, os pássaros estariam tentando nos dizer alguma coisa.

Pássaros caindo do ar são quase mais perturbadores do que pássaros nos atacando, pois sugerem um desconcerto sem refúgio, do qual não se escapa nem voando. Podemos viver com a ideia de pássaros retomando o mundo, mas não com a ideia de um mundo irreparável caminhando para o nada. Depois de pássaros caindo do céu vêm mortos saindo das sepulturas, o Juízo Final, sobem os créditos e Fim.

Ou então descobrirão causas perfeitamente racionais para a morte dos pássaros e tudo continuará como antes. Bodega Bay, por sinal, ainda existe.

Um pitada de Chico

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

TEMPO E CONTA-Laurindo Rabelo



Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta.
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.


Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!


Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo...

A importância do silêncio


"Afaste-se do ruído do mundo e do clamor de suas próprias preocupações.
No silêncio você pode ouvir o sussurro do infinito."
Lisa Engelhardt

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Evoluindo...


Fases líquidas da vida


Pedras no caminho- Fernando Pessoa


"Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida
é a maior empresa do mundo,
e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis
no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…"

domingo, 2 de janeiro de 2011

Receita de Ano Novo- Drummond


Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris,
ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo,
espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha,
Você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade,
recompensa, justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo,
eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.