sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz Ano Novo!!!





"...Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre." (Carlos Drummond de Andrade)

Que em 2012 tenhamos o prazer de sua companhia aqui conosco. Saúde, paz, harmonia, alegrias e TODO AMOR QUE HOUVER NESSA VIDA!!!!

Homem rosa, mulher azul - Fabrício Carpinejar


Foto: Bruno Peixoto

O homem é ensinado a ser homem se opondo à mulher.
Tudo o que é de mulher não é do homem. Tudo o que é do homem não é da mulher.
Joga-se o menino contra as meninas, não são eles que não se dão bem,
são os pais e próximos que os diferenciam de modo ostensivo.
Os preconceitos são invisíveis e não menos duros.
Há brincadeiras para cada um dos sexos na escola.
Futebol é para meninos, bonecas para meninas.
Não poderia brincar de casinha,
que alguma professora já me dizia que meu lugar era no campinho.
Levar carrinho de bebê, então, nem se fala (como se o homem não pudesse exercitar a paternidade logo cedo e fosse exclusividade da garota).
Formam-se rodas, panelinhas e grupos por gênero, em que é aconselhável não se misturar.
Com o pretexto de evitar a malícia e fortalecer identidades, corta-se os cabelos da boca.
Segredo de homem, segredo de mulher. Menino mija de pé, menina mija sentada.
Desde o começo, o homem entende que para ser homem não pode ser mulher. Só isso.
Não ensinam o que é ser homem, ensinam o que não é ser homem.
Ele entende errado, entende a aparência de ser homem,
ao invés de entender que para ser homem deve ser com a mulher.
É incitado a se separar, a brigar, a teimar, a não pintar as unhas, a fazer programas diferentes,
a não gostar de lojas, a não chorar em público, a não conversar demais,
a não expor seus sentimentos, a ser forte e frio, a carregar peso, a brigar com os punhos.
Ser homem condicionou-se a uma oposição à mulher,
cristalizado na figura de adversário feminino.
Eu não podia jogar amarelinha porque não era coisa de homem.
Eu não podia jogar cinco marias porque não era coisa de homem.
Até dançar, não me caía bem. Não notamos, mas criamos homens destinados a odiar a mulher. Não para amar naturalmente a mulher.
Destinados a trapacear, a fingir, a mentir, a trair,
a fugir das verdades quando elas pedem uma mudança. O depois é o antes.
Foram criados para se esconder, para se separar,
para evitar os laços mais estreitos e a familiaridade dos costumes.
Formados para não se envolver.
Recebem advertência vitalícia e implícita de que não é possível se aproximar muito dos gostos e predileções femininas,
de que é preciso manter distância, sob a pena de colocar em risco sua masculinidade.
O homem tem dificuldades de se relacionar mais do que dificuldades de relacionamento.
Está sempre sendo julgado pela sua conduta.
Se altera seu figurino e anda mais à vontade, já começa o zunido de que trocou de sexo.
Aceita-se papéis misóginos sem perceber,
aceita-se que há apenas dois banheiros e duas vidas diferentes para entrar e seguir.
As fronteiras começam antes do nascimento, na separação do enxoval azul do rosa.
Desde quando o homem não é rosa e a mulher não é azul?

Paulinho Moska - Quantas vidas você tem?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A força dos nossos pés



Desde o dia em que tu nasceste, eu criei a ilusão dentro de mim, que poderia caminhar por ti.
Imaginei que colocaria teus pés sobre os meus e te levaria pelos caminhos que eu julgasse mais tranquilos e seguros.
Dessa maneira, tu nunca feririas teus pés pisando em espinhos ou em cacos de vidro e jamais te cansarias da caminhada. Nem mesmo precisarias decidir qual estrada tomar. Isso seria eternamente minha responsabilidade.
E foi assim durante um bom tempo. Caminhei por ti e para ti.
Então, o tempo veio me avisar bruscamente que essa deliciosa tarefa não faria mais parte dos meus dias.
Teus pés cresceram e eu já não conseguia mais equilibrá-los em cima dos meus e, quando eu menos esperava, eles escorregaram e alcançaram o solo.
Hoje sou obrigado a vê-los trilhar caminhos nos quais os meus jamais os levariam e ainda tento detê-los insistentemente, mas só consigo raríssimas vezes.
Agora só me é permitido correr com os meus junto aos teus e, em certos momentos, teus passos são tão largos que quase não posso acompanhá-los.
Atualmente assisto aos teus tropeços sempre pronto a levantar-te das tuas quedas.
Por vezes, tu me estendes as mãos em busca de socorro.
Outras, mesmo estando estirado ao chão e ferido, insistes em levantares sozinho para me provar que já és capaz de te erguer, após teus tombos e curares as próprias feridas.
Assim vamos vivendo e sinto uma saudade imensurável daquele tempo que precisavas de mim para te conduzir, pois era bem mais fácil suportar teu peso sobre meus pés do que sobre o meu coração.
No entanto, já consigo compreender como a vida é sábia.
Percebo, finalmente, que em algum momento tu precisarias mesmo desbravar teus caminhos independente de mim.
Como eu, é provável que tenhas que fazê-lo com mais alguns pés sobre os teus, os dos teus filhos.
Claro que não é uma tarefa fácil. Mas se eu consegui, tu também conseguirás porque plantei em teu coração o melhor e mais poderoso aditivo para que suportes tanto peso: o amor.
*  *  *

Com eles aprendemos a lição maior do amor incondicional. Tornamos-nos habilidosos em corrigir nossos piores defeitos e multiplicar os melhores sentimentos.
Se hoje eles estão ao nosso lado, façamos por eles o melhor que pudermos pois, com certeza, logo chegará o tempo em que eles não mais estarão tão próximos.
Quando pequenos, toda a felicidade deles depende dos pais e é realmente doloroso o momento em que constatamos que haverá o tempo em que não mais precisaremos carregá-los e nem guiar os seus passos.
Então preparemos o seu caminho.
Através do amor, ofereçamos a eles toda a bagagem necessária para que possam seguir em frente com força e segurança.
Que eles carreguem a certeza de que, mesmo estando fisicamente distantes, estaremos sempre ao seu lado.

Redação do Momento Espírita,com base em mensagem,
de autoria desconhecida.
Em 26.12.2011.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Hoje não escrevo- Carlos Drummond de Andrade



Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.
Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.
Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever O Capital é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu O Capital. Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.
Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incômodo de praticá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhe os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.
E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva.
Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isso entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...
Então hoje não tem crônica.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal!




Mesmo que não venha aqui com a frequência que gostaria, não posso, em uma data tão especial, deixar de desejar um Natal com muita luz, harmonia e paz aos amigos que ainda visitam este despretensioso espaço.
Que saibamos compreender e colocar em prática o verdadeiro espírito natalino. 
A época é de correria, consumo desenfreado, impaciência no trânsito e em lojas, mas o que deveríamos buscar de verdade é um pouco de harmonia e paz. Por conta da postagem da amiga Walnize Carvalho no Sociedade Blog, descobri que na França, existe a tradição do "Joyeux Noel!", que nada mais é do que uma tentativa de reconciliação com alguém que, por algum motivo, virou um "inimigo" em algum momento da vida. Bom seria que tentássemos algo parecido hoje. Procurar alguém que, por alguma circunstância, se afastou de nosso convívio e tentar restabelecer a paz. No Natal passado, meu maior presente foi ter meu sobrinho-filho de volta ao meu dia a dia. Que tal se tentássemos fazer o mesmo hoje? Caso ainda não se sinta preparado, faça uma oração para essa pessoa, sua família, amigos.Posso assegurar que se sentirá bem melhor depois disso.
Um dia de muita luz e o desejo sempre de TODO AMOR QUE HOUVER NESSA VIDA para todos vocês!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ser- Fernanda Mello



E a receita é uma só: fazer as pazes com você mesmo,
diminuir a expectativa e entender que felicidade não é ter...
É ser.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Carta ao Léo




Eita.... E 10 anos se passaram, Zé.

Por aqui muitas coisas mudaram, como bem sabe. Reparou como Yan virou um Léo II?? Bonitão, pegador, amigo, líder...É como dizem, filho de peixe....

E Estela?? Que moça linda ela está, não é mesmo?? Inteligente, madura, mais segura.

Ok, desconte o fato de eu ser um tio-pai coruja assumido. Mas este ano foi bacana para nossa família. Bruno feliz e viajando pelo Brasil todo fazendo o que mais gosta. Papai nas pesquisas e podendo receber os amigos no seu cantinho para escutar músicas legais e jogar conversa fora. E nossa Oninha?? Como sempre cuidando de sua saúde, agitadíssima e viajadeira. Ou seja, não mudou muita coisa...

Quanto a mim, estou feliz ao lado de uma pessoa maravilhosa, carinhosa, parceira e especial. Você sabe bem disso, tanto que já mandou recados por ela. E agora, mesmo que com um pouco de atraso, estou seguindo seus conselhos, Zé.

Dez anos.... Nesse período perdemos companhias queridas aqui e você as ganhou aí. E tenho certeza que está cuidando bem delas.

Cara, você faz muita falta. Muita mesmo. No dia a dia. Nas decisões familiares, nas discussões futebolísticas e políticas, nos momentos de reunião entre pessoas queridas, nas peladas entre amigos que vou retomar com força total em 2012.

Obrigado por tudo, Zé.

Tenho que ir. Deixo meu beijo com carinho, gratidão, a saudade menos doída, mas para sempre muito forte e todo amor que houver nessa vida!

Valeu, Zé!

Dilma sanciona lei que proíbe fumo em local fechado em todo o país

A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que proíbe o fumo em locais fechados em todo o país, sejam eles públicos ou privados. A mudança na legislação foi publicada ontem "Diário Oficial da União".


A regra é fruto de uma emenda à Medida Provisória (MP) 540/2011 apresentada pelo governo federal e que previa, entre outros temas, a utilização de recursos do FGTS em obras da Copa.


Conforme o texto sancionado pela presidente, o Poder Executivo precisará regulamentar o artigo que trata sobre o fumo. Não há prazo para que a regulamentação seja feita.


Considera-se recinto coletivo público ou privado "local fechado, de acesso público, destinado a permanente utilização simultânea por várias pessoas". Entram nessa regra, por exemplo, os shoppings.


O texto altera os artigos 2 e 3 da Lei 9.294/1996. O artigo segundo previa o fumo em recinto coletivo "salvo em área destinada exclusivamente a esse fim, devidamente isolada e com arejamento conveniente".


Atualmente, o fumo em locais fechados já é proibido por leis estaduais, como em Rio, São Paulo e Paraná, além de outros estados. Com a nova legislação, a proibição passará a ser em todo território nacional.


O texto amplia ainda as restrições à propaganda do cigarro, com aumento da advertência sobre os riscos do fumo. A medida torna obrigatório o aumento de avisos sobre os malefícios do fumo, que deverão aparecer em 30% da área frontal do maço de cigarros, a partir de 1º de janeiro de 2016.


A publicidade em pontos de vendas também fica proibida "com exceção apenas da exposição dos refetidos produtos nos locais de venda".


De acordo com o ministério da Saúde, o texto também prevê aumento na carga tributária dos cigarros, além de fixar preço mínimo de venda do produto no varejo.


Fica estabelecida em 300% a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o cigarro. O aumento também precisará passar por regumantação. Conforme o governo, o aumento no preço do produto está previsto para o início de 2012. Com o reajuste do imposto e o estabelecimento de um preço mínimo, o cigarro subirá cerca de 20%, em 2012, chegando a 55% em 2015.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Receita - Nietzshe




"Estar bem e feliz é uma questão de escolha e não de sorte ou mero acaso.
É estar perto das pessoas que amamos, que nos fazem bem e que nos querem bem.
É saber evitar tudo aquilo que nos incomoda ou faz mal,
não hesitando em usar o bom senso,
a maturidade obtida com experiências passadas ou mesmo nossa sensibilidade para isso.
É distanciar-se de falsidade, inveja e mentiras.
Evitar sentimentos corrosivos como o rancor, a raiva e as mágoas,
que nos tiram noites de sono e em nada afetam as pessoas responsáveis por causá-los.
É valorizar as palavras verdadeiras e os sentimentos sinceros que a nós são destinados.
E saber ignorar, de forma mais fina e elegante possível,
aqueles que dizem as coisas da boca para fora ou cujas palavras e caráter
nunca valeram um milésimo do tempo que você perdeu ao escutá-las.''

Oração ao sol da manhã- Elisa Lucinda



Preciso sonhar um sonho novo,
Preciso saber perder um velho sonho,
Preciso gerar um novo sonho
E crer nas sempre novas possibilidades
Que o que há de vir me oferece.
Preciso encontrar o que mereço em outro endereço,
E que seja logo, que seja breve.
Preciso daquela esperança de um dia após o outro
Que a travessia do tempo me concede.
Ó futuro, não me deserde!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Bom demais....



Acordo feliz pela noite que tive ao lado dos amigos de uma vida. Como é bom e gratificante ter amigos de verdade. Uma pena que não consigamos nos reunir com a frequência que queríamos, mas, como disse Potência, por causa disso mesmo momentos como os de ontem são mais especiais. Relembramos casos, fizemos planos, demos risadas, enfim.....
Não poderia deixar um pequenino registro deste instante.

Obrigado Papai do Céu!!!

sábado, 29 de outubro de 2011

Hoje é dia de Loco!!!




Que me perdoem os 3 leitores deste despretensioso espaço, mas hoje é dia Loco. Ganhamos mais uma. Gol de Loco. Loco Abreu!!!
Rumo à Libertadores!!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Amor e paixão - Carpinejar



"O amor tem uma consciência louca do futuro, de fazer passado com o futuro.

A paixão vive fora do tempo.

O amor vive no tempo porque deixa rastros.

Paixão se esquece, e amor nem enterrando acaba."

Força - Cora Coralina


Desistir?
Eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério.
É que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas,
mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros,
mas estrada no meu coração do que medo na minha cabeça.

Amar o inútil


"É preciso amar o inútil.
Criar pombos sem pensar em comê-los,
plantar roseiras sem pensar em colher rosas,
escrever sem pensar em publicar,
fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta,
mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas da vida. A música. Este céu que nem promete chuva. Aquela estrelinha nascendo ali... está vendo aquela estrelinha?
Há milênios não tem feito nada, não guiou os reis magos,
nem os pastores, nem os marinheiros perdidos... apenas brilha.
Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil.
Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a beleza."

Trecho do romance "Ciranda de Pedra", de Lygia Fagundes Telles.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Djavan entusiasmado com o atual momento da carreira



A entrevista abaixo foi feita pelo repórter Gabriel Gazineu Macieira, do site TERRA. Sou um fã declarado das músicas deste alagoano, que tem apenas um defeito grave: é torcedor do flamengo. Confira:

"Prestes a lançar o álbum Ária Ao Vivo em CD, DVD e, pela primeira vez, em Blu-Ray, o cantor e compositor Djavan recebeu o Terra para uma entrevista em um restaurante no bairro da Urca, no Rio de Janeiro. Entusiasmado, o artista destacou os grandes momentos dos seus 35 anos de carreira.

O show, gravado nos dias 08 e 09 de abril, no Grande Teatro Palácio das Artes, em Belo Horizonte, leva o nome do último trabalho do artista.

Dirigido pela Samba Filmes, no repertório estão clássicos como Sabes Mentir (Othon Russo), Disfarça e Chora (Cartola e Dalmo Castello), Brigas Nunca Mais (Vinícius de Moraes e Tom Jobim), Fly Me To the Moon (Bart Howard), Palco (Gilberto Gil) e Oração ao Tempo (Caetano Veloso).

Como foi a escolha do repertório?
Eu não sabia o que cantar na verdade, fui buscando aos poucos, ouvi o cancioneiro brasileiro quase todo, desde Villa Lobos até os compositores atuais. Tudo isso buscando um repertório no qual eu pudesse ter uma relação musical boa. Fiquei oito meses só ouvindo e pude, mais uma vez, constatar a riqueza que é viver no Brasil.

Você sentiu a responsabilidade de fazer um disco com música de outros artistas?
Eu sempre tive esse desejo de buscar uma distinção nas coisas, trazer um frescor, algo que eu julgue que esteja fazendo pela primeira vez. Isso foi uma coisa que me deu um certo trabalho mas, ao mesmo tempo, é bom ver que o resultado foi satisfatório.

Como é ter um público de todas as idades?
Eu atribuo isso à diversidade da minha música. Como abrange todos os gêneros, acaba atraindo um público heterogêneo. Chego em um show e vejo no camarim desde crianças de três anos com os pais até pessoas de 80 ou mais. Isso é uma coisa que me alegra, é democrático, quer dizer que tenho uma vida longa como artista.

O que acha da nova geração da MPB?
Eu acho o Brasil muito rico. Você encontra música de tudo que é tipo, tudo que é lugar, mas sempre distinta. Compositores bem diferentes. Agora vou produzir o disco da Mart'nália e estou envolvido com escolha de repertório, ouvindo músicas de compositores de vários lugares do Brasil. Existe muita gente talentosa. Tem um menino chamado Dani Black que é muito interessante, faz uma música boa.

Qual foi o momento mais marcante de sua carreira?
Quando ouvi minha voz no rádio pela primeira vez. Era uma música do Marcos e Paulo César Valle chamada Qual é. Essa musica tocou pela primeira vez na Rádio Nacional. A emoção é indescritível.

Muitos músicos param cedo. Qual o estímulo de estar há 35 anos na estrada lançando sempre coisas novas?
Ser músico não é minha profissão, é minha vida. Desde que eu me entendo por gente lido com música. Eu tinha 3, 4 anos de idade e minha mãe já pedia para eu cantar para as amigas. É uma relação quase que embrionária, eu sempre escutava minha mãe cantar em casa, no trabalho e com as amigas. Não tive de fazer teste vocacional, nada disso. Houve uma época que pensei em ser jogador de futebol, eu jogava bem e todo mundo falava para eu seguir nessa profissão, mas a música me arrebatou. Eu não gostaria de ser outra coisa.

Qual o momento mais prazeroso em todo o processo musical? Existe alguma regra para compor?
Agora é o momento que me dá mais prazer pessoal, o de compor. Cada música que eu faço é um prazer. Preciso de introspecção favorável e boa, que eu possa ficar num lugar onde não tenha de atender telefone.

O Rock in Rio está chegando. Como foi ter participado ao lado do guitarrista Carlos Santana na edição de 1991?
Foi um momento lindo. O Santana e eu temos uma afinidade, amizade de muitos anos e sempre quisemos fazer alguma coisa juntos. Naquele momento eu não ia participar do Rock in Rio e ele me convidou para cantar na noite dele. Foi um momento muito bonito.

Ficou surpreso quando a Miss Universo revelou que gosta da sua música?
Gostei de terem escolhido uma negra. É uma mulher linda de Angola. Foi incrível quando ela disse que gosta de mim e da minha música, essa história me deixou supreso. Não a conheço, mas tenho vontade de encontrá-la um dia.

Mude - Martha Medeiros



"Mudem dos 18 para os 30, mudem dos 30 para os 50, mudem,
porque desconfiado a gente tem que ficar de quem não muda jamais.
São tantas as informações e vivências que absorvemos durante uma única vida que é impossível que elas não nos façam refletir e alterar nossa rota.
Infeliz de quem passa a vida toda sendo fiel ao que os outros pensam a seu respeito."


O amor que recebemos - Ana Jácomo





"Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins,
que façam as dores mais abissais desaparecerem,
nos tempos mais devastadores, por pura mágica.
Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação,
no gesto aliado à vontade, e, especialmente,
no amor que recebemos, nas temporadas difíceis,
de quem não desiste da gente."

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A fé-Rubem Alves


Há pessoas que nos fazem voar...

(...) A gente se encontra com elas e leva um bruta susto.
Primeiro, porque o vento começa a soprar dentro da gente, e lá,
de cantos escondidos de nossas montanhas e florestas internas,
aves selvagens começam a bater asas,
e a gente não sabia que tais entidades mágicas moravam dentro de nós,
e elas nos surpreendem, e nós nos descobrimos mais selvagens,
mais bonitos, mais leves, com uma vontade incrível de subir até as alturas,
saltando, saltando de penhascos, pendurados numa asa-delta
(acho que o nome disso é fé…)"

Estradas -Caio Fernando Abreu



Tudo é ilusão, tudo é só estrada que corre e corre,

e todas as estradas vão para o mesmo lugar.
Que as paisagens dessa estrada sejam belas, então.

Entre amigos - Martha Medeiros




Para que serve um amigo?
Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco,
dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra.
Todas as alternativas estão corretas,
porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade",
que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho,
que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.
Verdade verdadeira.
Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências.
Racha a culpa, racha segredos. Um amigo não empresta apenas a prancha.
Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país. Um amigo não dá carona apenas pra festa.
Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.
Um amigo não segura a barra, apenas.
Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim ninguém tem.
Se tiver um, amém.

sábado, 9 de julho de 2011

Moska



Tudo novo de novo.
Muito bom.

Copo D'água-Marcelo Jeneci



Não conhecia o Marcelo Jeneci. Há duas semanas, estava assistindo o programa do Moska no Canal Brasil (acho que o nome é Zoombido), e adorei a interpretação dos dois para essa música aí de cima. Pena que não achei o vídeo.

sábado, 25 de junho de 2011

Timidez




E, por fim, a minha predileta do Biquiní: Timidez.

Quanto tempo demora um mês?

Para refletir - Kafka




"Reflexões calmas, inclusive as mais calmas,
ainda são melhores do que as decisões desesperadas."

in "A Metamorfose"

Charge do dia


Charge: Chico Caruso

Quando eu te encontrar- Biquiní Cavadão

O amor como ele é - Ana Jácomo



'É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado.
É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.
Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado.
Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja.
Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro.
Difícil é amar quem não está se amando.
Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.'

Intimidade- Manoel de Barros



"A gente só descobre isso depois de grande(…).
Que o tamanho das coisas há que ser medido
pela intimidade que temos com as coisas.
Há de ser como acontece com o amor”.

in 'Memórias Inventadas'

Vento Ventania- Biquini Cavadão

Como todos sabem, Bruno Gouveia, vocalista de uma das minhas bandas prediletas, o Biquiní Cavadão, perdeu seu filho Gabriel em um trágico acidente de helicóptero na Bahia. E hoje, faremos uma pequena homenagem à esta família com algumas músicas do Biquiní. Começamos com "Vento Ventania", música cantada por Bruno na missa de sétimo dia ontem, já que era uma mas prediletas de Gabriel, que sabia cantar ela de cor.




E abaixo, o poema escrito por Bruno e postado no blog "entre mim e você", criado por ele e sua ex-esposa Fernanda Kfuri, que também faleceu no acidente, para falarem do amor por Gabriel.


"PARTIDA

a morte de um filho
é uma gravidez às avessas
volta pra dentro da gente
para uma gestação eterna

aninha-se aos poucos
buscando um espaço
por isso dói o corpo
por isso, o cansaço

E como numa gestação ao contrário
a dor do parto é a da partida
de volta ao corpo pra acolhida
reviravolta na sua vida

E já começa te chutando, tirando o sono
mexendo os órgãos, lembrando o dono
que está presente, te bagunçando o pensamento
te vazando de lágrimas e disparando o coração,

A morte de um filho é essa gravidez ao contrário
mas com o tempo, vai desinchando
até se transformar numa semente de amor
e que nunca mais sairá de dentro de ti."

domingo, 8 de maio de 2011

Quando Deus criou as mães



Quando Deus criou as mães

Diz uma lenda que o dia em que o bom Deus criou as mães, um mensageiro se acercou Dele e Lhe perguntou o porquê de tanto zelo com aquela criação.

Em quê, afinal de contas, ela era tão especial?

O bondoso e paciente Pai de todos nós lhe explicou que aquela mulher teria o papel de mãe, pelo que merecia especial cuidado.

Ela deveria ter um beijo que tivesse o dom de curar qualquer coisa, desde leves machucados até namoro terminado.

Deveria ser dotada de mãos hábeis e ligeiras que agissem depressa preparando o lanche do filho, enquanto mexesse nas panelas para que o almoço não queimasse.

Que tivesse noções básicas de enfermagem e fosse catedrática em medicina da alma. Que aplicasse curativos nos ferimentos do corpo e colocasse bálsamo nas chagas da alma ferida e magoada.

Mãos que soubessem acarinhar, mas que fossem firmes para transmitir segurança ao filho de passos vacilantes. Mãos que soubessem transformar um pedaço de tecido, quase insignificante, numa roupa especial para a festinha da escola.

Por ser mãe deveria ser dotada de muitos pares de olhos. Um par para ver através de portas fechadas, para aqueles momentos em que se perguntasse o que é que as crianças estão tramando no quarto fechado.

Outro para ver o que não deveria, mas precisa saber e, naturalmente, olhos normais para fitar com doçura uma criança em apuros e lhe dizer: Eu te compreendo. Não tenhas medo. Eu te amo, mesmo sem dizer nenhuma palavra.

O modelo de mãe deveria ser dotado ainda da capacidade de convencer uma criança de nove anos a tomar banho, uma de cinco a escovar os dentes e dormir, quando está na hora.

Um modelo delicado, com certeza, mas resistente, capaz de resistir ao vendaval da adversidade e proteger os filhos.

De superar a própria enfermidade em benefício dos seus amados e de alimentar uma família com o pão do amor.

Uma mulher com capacidade de pensar e fazer acordos com as mais diversas faixas de idade.

Uma mulher com capacidade de derramar lágrimas de saudade e de dor mas, ainda assim, insistir para que o filho parta em busca do que lhe constitua a felicidade ou signifique seu progresso maior.

Uma mulher com lágrimas especiais para os dias da alegria e os da tristeza, para as horas de desapontamento e de solidão.

Uma mulher de lábios ternos, que soubesse cantar canções de ninar para os bebês e tivesse sempre as palavras certas para o filho arrependido pelas tolices feitas.

Lábios que soubessem falar de Deus, do Universo e do amor. Que cantassem poemas de exaltação à beleza da paisagem e aos encantos da vida.

Uma mulher. Uma mãe.

* * *

Ser mãe é missão de graves responsabilidades e de subida honra. É gozar do privilégio de receber nos braços Espíritos do Senhor e conduzi-los ao bem.

Enquanto haja mães na Terra, Deus estará abençoando o homem com a oportunidade de alcançar a meta da perfeição que lhe cabe, porque a mãe é a mão que conduz, o anjo que vela, a mulher que ora, na esperança de que os seus filhos alcancem felicidade e paz.


Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 5, ed. Fep.

sábado, 7 de maio de 2011

Você e o mundo- Ghandi



"Não tente adivinhar o que as pessoas pensam a seu respeito.
Faça a sua parte, se doe sem medo.
O que importa mesmo é o que você é.
Mesmo que outras pessoas não se importem.
Atitudes simples podem melhorar sua vida.
Não julgue para não ser julgado.
Um covarde é incapaz de demonstrar amor
- isso é privilégio dos corajosos."

Toda palavra- Viviane Mosé



"Procuro uma palavra que me salve
Pode ser uma palavra verbo
Uma palavra vespa, uma palavra casta.
Pode ser uma palavra dura. Sem carinho.
Ou palavra muda, molhada de suor no esforço da terra não lavrada.
Não ligo se ela vem suja, mal lavada.
Procuro uma coisa qualquer que saia soada do nada.
Eu imploro pelos verbos que tanto humilhei
e reconsidero minha posição em relação aos adjetivos.
Penso em quanta fadiga me dava
o excesso de frases desalinhadas em meu ouvido.
Hoje imploro uma fala escrita,não pode ser cantada.
Preciso de uma palavra letra grifada grafia no papel.
Uma palavra como um porto
um mar um prado
um campo minado um contorno
carrossel cavalo pente quebrado véu
mariscos muralhas manivelas navalhas.
Eu preciso do escarcéu soletrado
Preciso daquilo que havia negado
E mesmo tendo medo de algumas palavras
preciso da palavra medo como preciso da palavra morte
que é uma palavra triste.
Toda palavra deve ser anunciada e ouvida.
Nunca mais o desprezo por coisas mal ditas.
Toda palavra é bem dita e bem vinda. "

O poder da sombra- Deepak Chopra



Se você não pode enxergar a própria sombra, precisa procurá-la.
A sombra se esconde na vergonha, nos becos escuros,
nas passagens secretas e nos sótões fantasmagóricos de sua consciência.
Ter um lado sombrio não é possuir uma falha, mas ver completo.
ENCONTRE O PODER ESCONDIDO NA SUA VERDADE.

domingo, 1 de maio de 2011

Viva o Jardim São Benedito!!!
















Queria estar aqui antes dividindo com meus 7 leitores a alegria que tive hoje ao começar meu dia com uma bela caminhada no Jardim São Benedito,aqui em Campos, um lugar muito especial para este blogueiro. Felizmente, resolvi partir para Grussaí com minha Renata e tivemos um dia bem bacana. Mas ainda dá tempo de relembrar e postar algumas fotos do Jardim.

Quem mora ou morou em Campos, e tem entre 30 e 40 anos, tem as melhores recordações daquele lugar. Ali, em 1979, aprendi a andar de bicicleta e esperava ansiosamente meu pai chegar de suas viagens como representante comercial, para, aos sábados, passar na casa dos colegas de João XXIII e dos meus primos, e levar-nos para peladas na antiga quadra, situada ainda hoje na Rua Saldanha Marinho.


O tempo passou, morei 9 anos em Cabo Frio, mas sempre que vinha a Campos, lá estava eu no velho Jardim São Benedito. Os anos 90 chegam, e mais velho, continuo a fazer meus gols naquelas quadras, junto com meus amigos de Liceu.


Alguns anos se passam, e lá estou com meus sobrinhos Yan e Estela começando meus sábados e domingos. Saudades de Léo, tia Ceila, Lalá, e dos shows nos domingos de MPB nos domingos de manhã. Uma pena que junto com maravilhosos espetáculos, vinha o super faturamento. Resultado: fins dos shows.


Com prós e contras, o Jardim São Benedito ainda é um lugar muito especial para muitos. Hoje vi e ouvi, senhoras caminhando, pais chegando com seus filhos, gente chegando para a missa na Igreja, o som dos passarinhos e infelizmente um certo desleixo, como sacos plásticos em um dos lagos do local, repleto de peixes.

Mas foi bom demais começar meu dia por lá.


Semana que vem tem mais.

domingo, 24 de abril de 2011

Amor e seu tempo - Carlos Drummond de Andrade


"Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida.
Amor começa tarde. "


in "Alguma poesia"

Você e o mundo - Ghandi



"Não tente adivinhar o que as pessoas pensam a seu respeito.

Faça a sua parte, se doe sem medo.

O que importa mesmo é o que você é.

Mesmo que outras pessoas não se importem.

Atitudes simples podem melhorar sua vida.

Não julgue para não ser julgado.

Um covarde é incapaz de demonstrar amor- isso é privilégio dos corajosos."

Pois é..



E-mail que recebi de um amigo nostálgico....rs

sábado, 23 de abril de 2011

Pacto- Carpinejar

Sou um desvairado. Aposto em casamento.
Mergulho em saideiras intermináveis na mesa de bar e apanho porque sou minoria.
Meu chope tem colarinho de padre. É enlouquecedor convencer alguém que usa sua experiência. É como se a experiência fosse um argumento incontestável. Já reneguei muita lembrança que não me acrescentou em nada. Nem toda experiência ensina, que mania a de se vangloriar do passado apocalíptico e jogar na cara: eu vivi dois casamentos, sei do que falo.
Faz favor, há coisas que vivo que apenas me tiram as palavras. Se alguém tem propriedade no assunto é Thiago de Mello, que casou trinta vezes, mais ninguém. Nem eu.
Amo casamento com todo peso da árvore feminina da família. Torna qualquer detalhe revelador, chance de traficar ternura na necessidade de comprar gás ou arrumar o portão da garagem. Perguntar que horas ela volta é uma preocupação comovente, de quem deseja ficar mais tempo junto. O que são os problemas perto da alegria de poder contá-los para sua mulher?
O amor é simples, tão simples que fingimos sabedoria ao dificultá-lo.
Mas os céticos estão em vantagem. Eu é que sou o conservador. Defender uma relação fechada é hoje impronunciável, uma burrice. Acabo calado por vaias e ‘deixa disso’.
Pareço um moralista, uma carmelita, um torcedor do América de MG.
Não aguento o pessimismo pré-datado. A gente entrega a indisposição nos medos mais óbvios.
"Se você me trair, promete me contar?"
A questão já coloca a infidelidade como certa. Contar ou não confessar passa a ser o dilema.
Não se confia mais na fidelidade, mas somente na franqueza. Vamos adaptando os princípios.
O mesmo é resmungar que o homem não é monogâmico, não adianta tentar. É aceitar que ele não tem escolha, de que se trata de um condicionamento biológico, uma maldição darwiniana.
Nem mais encontro vestidos de noiva em vitrine. Até os manequins estão solteiros. Casamento é posto como cativeiro, como subtração de direitos e multiplicação dos deveres. É uma felicidade passageira, de doente terminal. O matrimônio deveria abandonar o contrato. O contrato existe para terminar, resguardar o final e sair ileso. É proteção desde o princípio.
Ao embarcar, já estamos reagindo às escolhas do naufrágio.
Casamento mudaria com a adoção do pacto. Isso: pacto! Por que unicamente o mal faz pacto? Um pacto do bem. Sei que há pacto com diabo, mas nunca vi pacto da virtude.
É usar o conhecimento siciliano. No pacto da máfia, realmente funciona a sentença:
"até que a morte nos separe". É o único lugar que a frase tem sentido.
É sangue com sangue, mindinho com mindinho. Não se oferece o indicador de propósito, para valorizar as pequenas causas. A aliança tem que ser o próprio dedo. Não há como tirar o dedo no motel.
O pacto são dois num só apelo, diferente do contrato que é cada um por si.
O pacto é palavra, o contrato é letra. A palavra é lembrança, a letra é cobrança.
O pacto é confiança, o contrato é obrigação. No contrato, se pode sair a qualquer hora.
No pacto, a saída é sempre pela honra.

Sobre o Transtorno obsessivo-compulsivo

De acordo com um estudo divulgado no periódico Deutsches Ärzteblatt International, lavar as mãos compulsivamente é a manifestação obsessivo-compulsiva mais comum em crianças e adolescentes, presente em até 87% de todos os pacientes, porém de difícil diagnóstico. Entretanto, se identificada precocemente, as chances de recuperação aumentam. De acordo com a pesquisa, a terapia comportamental pode ser mais efetiva para essa identificação do TOC do que o método mais popularizado atualmente, o psicodiagnóstico.

O psicodiagnóstico é um método científico no qual o paciente é submetido a uma série de testes psicológicos que permitem a identificação e avaliação de aspectos específicos, assim como a elaboração da melhor forma de intervenção para o paciente psicodiagnosticado. No entanto, segundo os autores, o tratamento a partir desta via é muito mais demorado.

Métodos combinados garantem a eficácia

Os métodos terapêuticos comportamentais têm se mostrado eficazes. Na terapia comportamental o paciente se depara com situações que antecedem a manifestação obsessivo-compulsiva, mas a manifestação é interrompida.

Um tratamento complementar – também chamado de segunda linha – também é indicado, sendo composto de intervenção terapêutica comportamental combinada com a administração de fármacos – como os usados no tratamento de síndromes depressivas, transtornos de ansiedade e alguns tipos de transtorno de personalidade.

Os autores afirmam que, mesmo após a conclusão de um período de tratamento intensivo, os pacientes ainda precisaram de psicoterapia ou terapias combinadas para evitar a repetição posterior. “O transtorno obsessivo-compulsivo é multifatorial, com fatores psicológicos, neurobiológicos e genéticos desempenhando papéis diferentes”, apontam os autores. A intervenção, portanto, também não pode ser única, mas combinada de forma a tratar a globalidade do transtorno.

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com informações da Deutsches Aerzteblatt International

domingo, 17 de abril de 2011

Vida inteligente

Pessoa

Um Deus que sorri- Rubem Alves

Eu acredito em Deus! Mas não sei se o Deus em que eu acredito, é o mesmo Deus em que acredita o balconista, a professora, o porteiro, o bispo ou pastor... O Deus em que acredito não foi globalizado. O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém. É uma idéia, uma energia, uma eminência. Não tem rosto, portanto não tem barba. Não caminha, portanto não carrega um cajado. Não está cansado, portanto não está sempre no trono. O Deus que me acompanha vai muito além do que me mostra a Bíblia. Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova. O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade. O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos. Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras. Nossa penitência é a reflexão. Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo. O Deus em que acredito não condena o prazer. O Deus em que acredito não me abandona, mas me exige mais do que uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros. A cruz pesa onde tem que pesar: dentro. É onde tudo acontece e este é o Deus que me acompanha: Um Deus simples. Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe tudo e vê tudo. Meu Deus é discreto e otimista. Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso: de um abraço numa amizade, uma música na hora certa, um silêncio. O Deus que eu acredito também não inventou o pecado, ou a segregação de credo. E como ele me deu o Livre-Arbítrio, sou eu apenas que respondo e responderei pelos meus atos.

sábado, 16 de abril de 2011

Eu não sei dançar

Fim de semana Marina Lima- "Grávida"

Continuando com nosso fim de semana Marina Lima, "Grávida".

A língua é minha pátria!!!


Da BBC Brasil:

"Uma língua indígena ameaçada de extinção no sul do México corre o risco de desaparecer depois que dois idosos, últimos fluentes no idioma, tiveram uma desavença e pararam de conversar entre si. Os idosos, ambos de aproximadamente 70 anos, moram na vila de Ayapan, em Tabasco. Eles são os únicos que falam a versão local da língua indígena Zoque, em extinção.



Fernando Nava, chefe do Instituto de Línguas Indígenas do México, usou este exemplo para alertar sobre outras línguas indígenas que correm o risco de desaparecer no país. Atualmente, mais de 20 línguas estão em perigo de extinção no México. Segundo Nava, os dois únicos indígenas com fluência no Zoque "não são inimigos, mas estão distantes". "São duas pessoas que têm poucas coisas em comum", disse ele.


Outras línguas com a mesma raiz lingüística são faladas nos estados mexicanos de Veracruz, Oaxaca e Chiapas. A tribo de índios Zoque é descendente dos Olmecas e seus membros se espalharam pela região sul do México. Funcionários do Instituto de Línguas Indígenas estão tentando treinar a comunidade de Ayapan para reintroduzir o Zoque em seu meio.


Eles também têm esperança que os dois idosos transmitam o conhecimento da língua para suas famílias. Além disso, como forma de registro, o Instituto também está gravando pessoas conversando na língua. Para Nava, "em alguns anos, esperamos ter novos faladores do idioma". O México é um dos países do mundo com mais diversidade de línguas. Mais de 350 línguas indígenas são faladas no território mexicano. De acordo com a ONU, uma língua desaparece a cada duas semanas no mundo. "

Lula X FHC de novo???


Nota da jornalista Mônica Bérgamo, em sua coluna na Folha de São Paulo:

"Fernando Henrique Cardoso volta a disparar.


Em entrevista ao jornalista Alexandre Machado em seu programa "Começando o Dia", que estreia na rádio Cultura FM, na segunda, desafia Lula para disputar uma eleição contra ele. Diz que o petista, "lá de Londres, refestelado em sua vocação nova [de palestrante]", se "dá o direito de gozar" de FHC. "Ele se esquece que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo."