quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Djavan entusiasmado com o atual momento da carreira



A entrevista abaixo foi feita pelo repórter Gabriel Gazineu Macieira, do site TERRA. Sou um fã declarado das músicas deste alagoano, que tem apenas um defeito grave: é torcedor do flamengo. Confira:

"Prestes a lançar o álbum Ária Ao Vivo em CD, DVD e, pela primeira vez, em Blu-Ray, o cantor e compositor Djavan recebeu o Terra para uma entrevista em um restaurante no bairro da Urca, no Rio de Janeiro. Entusiasmado, o artista destacou os grandes momentos dos seus 35 anos de carreira.

O show, gravado nos dias 08 e 09 de abril, no Grande Teatro Palácio das Artes, em Belo Horizonte, leva o nome do último trabalho do artista.

Dirigido pela Samba Filmes, no repertório estão clássicos como Sabes Mentir (Othon Russo), Disfarça e Chora (Cartola e Dalmo Castello), Brigas Nunca Mais (Vinícius de Moraes e Tom Jobim), Fly Me To the Moon (Bart Howard), Palco (Gilberto Gil) e Oração ao Tempo (Caetano Veloso).

Como foi a escolha do repertório?
Eu não sabia o que cantar na verdade, fui buscando aos poucos, ouvi o cancioneiro brasileiro quase todo, desde Villa Lobos até os compositores atuais. Tudo isso buscando um repertório no qual eu pudesse ter uma relação musical boa. Fiquei oito meses só ouvindo e pude, mais uma vez, constatar a riqueza que é viver no Brasil.

Você sentiu a responsabilidade de fazer um disco com música de outros artistas?
Eu sempre tive esse desejo de buscar uma distinção nas coisas, trazer um frescor, algo que eu julgue que esteja fazendo pela primeira vez. Isso foi uma coisa que me deu um certo trabalho mas, ao mesmo tempo, é bom ver que o resultado foi satisfatório.

Como é ter um público de todas as idades?
Eu atribuo isso à diversidade da minha música. Como abrange todos os gêneros, acaba atraindo um público heterogêneo. Chego em um show e vejo no camarim desde crianças de três anos com os pais até pessoas de 80 ou mais. Isso é uma coisa que me alegra, é democrático, quer dizer que tenho uma vida longa como artista.

O que acha da nova geração da MPB?
Eu acho o Brasil muito rico. Você encontra música de tudo que é tipo, tudo que é lugar, mas sempre distinta. Compositores bem diferentes. Agora vou produzir o disco da Mart'nália e estou envolvido com escolha de repertório, ouvindo músicas de compositores de vários lugares do Brasil. Existe muita gente talentosa. Tem um menino chamado Dani Black que é muito interessante, faz uma música boa.

Qual foi o momento mais marcante de sua carreira?
Quando ouvi minha voz no rádio pela primeira vez. Era uma música do Marcos e Paulo César Valle chamada Qual é. Essa musica tocou pela primeira vez na Rádio Nacional. A emoção é indescritível.

Muitos músicos param cedo. Qual o estímulo de estar há 35 anos na estrada lançando sempre coisas novas?
Ser músico não é minha profissão, é minha vida. Desde que eu me entendo por gente lido com música. Eu tinha 3, 4 anos de idade e minha mãe já pedia para eu cantar para as amigas. É uma relação quase que embrionária, eu sempre escutava minha mãe cantar em casa, no trabalho e com as amigas. Não tive de fazer teste vocacional, nada disso. Houve uma época que pensei em ser jogador de futebol, eu jogava bem e todo mundo falava para eu seguir nessa profissão, mas a música me arrebatou. Eu não gostaria de ser outra coisa.

Qual o momento mais prazeroso em todo o processo musical? Existe alguma regra para compor?
Agora é o momento que me dá mais prazer pessoal, o de compor. Cada música que eu faço é um prazer. Preciso de introspecção favorável e boa, que eu possa ficar num lugar onde não tenha de atender telefone.

O Rock in Rio está chegando. Como foi ter participado ao lado do guitarrista Carlos Santana na edição de 1991?
Foi um momento lindo. O Santana e eu temos uma afinidade, amizade de muitos anos e sempre quisemos fazer alguma coisa juntos. Naquele momento eu não ia participar do Rock in Rio e ele me convidou para cantar na noite dele. Foi um momento muito bonito.

Ficou surpreso quando a Miss Universo revelou que gosta da sua música?
Gostei de terem escolhido uma negra. É uma mulher linda de Angola. Foi incrível quando ela disse que gosta de mim e da minha música, essa história me deixou supreso. Não a conheço, mas tenho vontade de encontrá-la um dia.

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