segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Charge do dia-Frank



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Amor e paixão - Carpinejar



"O amor tem uma consciência louca do futuro, de fazer passado com o futuro.

A paixão vive fora do tempo.

O amor vive no tempo porque deixa rastros.

Paixão se esquece, e amor nem enterrando acaba."

Força - Cora Coralina


Desistir?
Eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério.
É que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas,
mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros,
mas estrada no meu coração do que medo na minha cabeça.

Amar o inútil


"É preciso amar o inútil.
Criar pombos sem pensar em comê-los,
plantar roseiras sem pensar em colher rosas,
escrever sem pensar em publicar,
fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta,
mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas da vida. A música. Este céu que nem promete chuva. Aquela estrelinha nascendo ali... está vendo aquela estrelinha?
Há milênios não tem feito nada, não guiou os reis magos,
nem os pastores, nem os marinheiros perdidos... apenas brilha.
Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil.
Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a beleza."

Trecho do romance "Ciranda de Pedra", de Lygia Fagundes Telles.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Djavan entusiasmado com o atual momento da carreira



A entrevista abaixo foi feita pelo repórter Gabriel Gazineu Macieira, do site TERRA. Sou um fã declarado das músicas deste alagoano, que tem apenas um defeito grave: é torcedor do flamengo. Confira:

"Prestes a lançar o álbum Ária Ao Vivo em CD, DVD e, pela primeira vez, em Blu-Ray, o cantor e compositor Djavan recebeu o Terra para uma entrevista em um restaurante no bairro da Urca, no Rio de Janeiro. Entusiasmado, o artista destacou os grandes momentos dos seus 35 anos de carreira.

O show, gravado nos dias 08 e 09 de abril, no Grande Teatro Palácio das Artes, em Belo Horizonte, leva o nome do último trabalho do artista.

Dirigido pela Samba Filmes, no repertório estão clássicos como Sabes Mentir (Othon Russo), Disfarça e Chora (Cartola e Dalmo Castello), Brigas Nunca Mais (Vinícius de Moraes e Tom Jobim), Fly Me To the Moon (Bart Howard), Palco (Gilberto Gil) e Oração ao Tempo (Caetano Veloso).

Como foi a escolha do repertório?
Eu não sabia o que cantar na verdade, fui buscando aos poucos, ouvi o cancioneiro brasileiro quase todo, desde Villa Lobos até os compositores atuais. Tudo isso buscando um repertório no qual eu pudesse ter uma relação musical boa. Fiquei oito meses só ouvindo e pude, mais uma vez, constatar a riqueza que é viver no Brasil.

Você sentiu a responsabilidade de fazer um disco com música de outros artistas?
Eu sempre tive esse desejo de buscar uma distinção nas coisas, trazer um frescor, algo que eu julgue que esteja fazendo pela primeira vez. Isso foi uma coisa que me deu um certo trabalho mas, ao mesmo tempo, é bom ver que o resultado foi satisfatório.

Como é ter um público de todas as idades?
Eu atribuo isso à diversidade da minha música. Como abrange todos os gêneros, acaba atraindo um público heterogêneo. Chego em um show e vejo no camarim desde crianças de três anos com os pais até pessoas de 80 ou mais. Isso é uma coisa que me alegra, é democrático, quer dizer que tenho uma vida longa como artista.

O que acha da nova geração da MPB?
Eu acho o Brasil muito rico. Você encontra música de tudo que é tipo, tudo que é lugar, mas sempre distinta. Compositores bem diferentes. Agora vou produzir o disco da Mart'nália e estou envolvido com escolha de repertório, ouvindo músicas de compositores de vários lugares do Brasil. Existe muita gente talentosa. Tem um menino chamado Dani Black que é muito interessante, faz uma música boa.

Qual foi o momento mais marcante de sua carreira?
Quando ouvi minha voz no rádio pela primeira vez. Era uma música do Marcos e Paulo César Valle chamada Qual é. Essa musica tocou pela primeira vez na Rádio Nacional. A emoção é indescritível.

Muitos músicos param cedo. Qual o estímulo de estar há 35 anos na estrada lançando sempre coisas novas?
Ser músico não é minha profissão, é minha vida. Desde que eu me entendo por gente lido com música. Eu tinha 3, 4 anos de idade e minha mãe já pedia para eu cantar para as amigas. É uma relação quase que embrionária, eu sempre escutava minha mãe cantar em casa, no trabalho e com as amigas. Não tive de fazer teste vocacional, nada disso. Houve uma época que pensei em ser jogador de futebol, eu jogava bem e todo mundo falava para eu seguir nessa profissão, mas a música me arrebatou. Eu não gostaria de ser outra coisa.

Qual o momento mais prazeroso em todo o processo musical? Existe alguma regra para compor?
Agora é o momento que me dá mais prazer pessoal, o de compor. Cada música que eu faço é um prazer. Preciso de introspecção favorável e boa, que eu possa ficar num lugar onde não tenha de atender telefone.

O Rock in Rio está chegando. Como foi ter participado ao lado do guitarrista Carlos Santana na edição de 1991?
Foi um momento lindo. O Santana e eu temos uma afinidade, amizade de muitos anos e sempre quisemos fazer alguma coisa juntos. Naquele momento eu não ia participar do Rock in Rio e ele me convidou para cantar na noite dele. Foi um momento muito bonito.

Ficou surpreso quando a Miss Universo revelou que gosta da sua música?
Gostei de terem escolhido uma negra. É uma mulher linda de Angola. Foi incrível quando ela disse que gosta de mim e da minha música, essa história me deixou supreso. Não a conheço, mas tenho vontade de encontrá-la um dia.

Mude - Martha Medeiros



"Mudem dos 18 para os 30, mudem dos 30 para os 50, mudem,
porque desconfiado a gente tem que ficar de quem não muda jamais.
São tantas as informações e vivências que absorvemos durante uma única vida que é impossível que elas não nos façam refletir e alterar nossa rota.
Infeliz de quem passa a vida toda sendo fiel ao que os outros pensam a seu respeito."


O amor que recebemos - Ana Jácomo





"Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins,
que façam as dores mais abissais desaparecerem,
nos tempos mais devastadores, por pura mágica.
Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação,
no gesto aliado à vontade, e, especialmente,
no amor que recebemos, nas temporadas difíceis,
de quem não desiste da gente."

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A fé-Rubem Alves


Há pessoas que nos fazem voar...

(...) A gente se encontra com elas e leva um bruta susto.
Primeiro, porque o vento começa a soprar dentro da gente, e lá,
de cantos escondidos de nossas montanhas e florestas internas,
aves selvagens começam a bater asas,
e a gente não sabia que tais entidades mágicas moravam dentro de nós,
e elas nos surpreendem, e nós nos descobrimos mais selvagens,
mais bonitos, mais leves, com uma vontade incrível de subir até as alturas,
saltando, saltando de penhascos, pendurados numa asa-delta
(acho que o nome disso é fé…)"

Estradas -Caio Fernando Abreu



Tudo é ilusão, tudo é só estrada que corre e corre,

e todas as estradas vão para o mesmo lugar.
Que as paisagens dessa estrada sejam belas, então.

Entre amigos - Martha Medeiros




Para que serve um amigo?
Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco,
dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra.
Todas as alternativas estão corretas,
porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade",
que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho,
que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.
Verdade verdadeira.
Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências.
Racha a culpa, racha segredos. Um amigo não empresta apenas a prancha.
Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país. Um amigo não dá carona apenas pra festa.
Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.
Um amigo não segura a barra, apenas.
Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim ninguém tem.
Se tiver um, amém.