sábado, 26 de março de 2011

O amor no colo- Fabricio Carpinejar


A dor não pede compreensão, pede respeito.
Não abandonar a cadeira, ficar sentado na posição em que ela é mais aguda.
Vejo homens que não têm coragem de terminar o relacionamento.
Que não esclarecem que acabou. Que deixam que os outros entendam o que desejam entender. Que preferem fugir do barraco e do abraço esmurrado.
Saem de mansinho, explicando que é melhor assim: não falar nada, não explicar,
acontece com todo mundo.
Encostam a porta de sua casa (não trancam) e partem para outra vida.
Não é melhor assim. Não tem como abafar os ruídos do choro.
O corpo não é um travesseiro. Seca com os soluços.
Não é melhor assim. Haverá gritos, disputa, danos.
É como beber um remédio, sem empurrar a colher para longe ou moldar cara feia.
É engolir o gosto ruim da boca, agüentar o desgosto da falta do beijo.
Será idiota recitar Vinicius de Moraes: "que seja infinito enquanto dure".
A despedida não é lugar para poesia. Haverá uma estranha compaixão pelo passado,
a língua recolhendo as lágrimas, o rosto pelo avesso. Haverá sua mulher batendo em seu peito, perguntando: "Por que fez isso comigo?"
Haverá a indignação como última esperança.
Haverá a hesitação entre consolar e brigar, entre devolver o corte e amparar.
Vejo homens que somente encontram força para seduzir uma mulher,
não para se distanciar dela.
Para iniciar uma história, não têm medo, não têm receio de falar.
Para encerrar, são evasivos, oblíquos, falsos. Mandam mensageiros.
Não recolhem seus pertences na hora. Voltarão um novo dia para buscar suas coisas.
Não toleram resolver o desespero e datar as lembranças.
Guardam a risada histérica para o domingo longe dali.
Mas estar ali é o que o homem precisa. Não virar as costas.
Fechar uma história é manter a dignidade de um rosto levantado,
ouvindo o que não se quer escutar.
Espantado com o que se tornou para aquela mulher que amava.
Porque aquilo que ela diz também é verdade. Mesmo que seja desonesto.
Desgraçadamente, há mais desertores do que homens no mundo. Deveriam olhar fora de si. Observar, por exemplo, a dor de uma mãe que perde seu filho no parto.
O médico colocará o filho morto no colo materno.
É cruel e - ao mesmo tempo - necessário.
Para que compreenda que ele morreu. Para que ela o veja e desista de procurá-lo.
Para que ela perceba que os nove meses não foram invenção, que a gestação não foi loucura.
Que o pequeno realmente existiu, que as contrações realmente existiram,
que ela tentou trazê-lo à tona.
Que possa se afastar da promessa de uma vida,
imaginar seu cheiro e batizar seu rosto por um instante.
Descobrir a insuportável e delicada memória que teve um fim, não um final feliz.
Ainda que a dor arrebente, ainda é melhor assim.

Palavras- José Saramago


"A vida é assim,
está cheia de palavras que não valem a pena,
ou que valeram e já não valem,
cada uma que ainda formos dizendo tirará o lugar a outra mais merecedora,
que o seria não tanto por si mesma,
mas pelas conseqüências de tê-la dito."

in "A caverna"

Reminiscências

Manhãs de sábado me trazem saudade. Muita saudade. Saudades de Léo, Tia Ceila, Lalá, Skol, nosso cão amigo. Saudades de começar o dia tomando o café em família. Saudades da Miguel Herédia. Hoje pude acordar às 8. Bom quando isso acontece. Liguei a tv e "zapeando" o controle remoto, parei quando vi que passava "Forrest Gump". É dessa época que tenho saudade. Vi apenas a metade do filme para frente, mas foi o suficiente para chorar um pouco. Estava precisando.
Vida que segue. O dia está lindo e agora é aproveitá-lo da melhor maneira.
Bom fim de semana aos amigos que passam por aqui.
Todo amor que houver nessa vida para vocês!

domingo, 20 de março de 2011

Uma pitada de Martha Medeiros


"É erótico ver uma mulher que sorri,
que chora, que vacila,
que fica linda sendo sincera,
que fica uma delícia sendo divertida,
que deixa qualquer um maluco sendo inteligente.
uma mulher que diz o que pensa,
o que sente e o que pretende. "

sábado, 19 de março de 2011

Amor- Léo Buscaglia



"O amor perfeito é realmente raro,
pois para ser um amante
é necessário que você tenha continuamente
a sutileza de um sábio,
a flexibilidade de uma criança,
a sensibilidade de um artista,
a compreensão de um filósofo,
a aceitação de um santo,
a tolerância de um estudioso
e a força de um bravo."

Que seja doce- Caio Fernando Abreu

"Então, que seja doce.
Repito todas as manhãs,
ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias,
bem assim, que seja doce.
Quando há sol,
e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia,
contemplando as partículas de poeira soltas no ar,
feito um pequeno universo;
repito sete vezes para dar sorte:
que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce,
talvez não saiba responder.
Tudo é tão vago como se fosse nada."


in"Os dragões não conhecem o paraíso"

Saber ouvir-Rubem Alves


É na escuta que o amor começa.
E é na não-escuta que ele termina.
Não aprendi isso nos livros.
Aprendi prestando atenção.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Não te detenhas - Camile Claudel


"Tua força interior e tuas convicções não tem idade.
Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha.
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada trunfo, há outro desafio.
Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo.
Se sentes saudades do que fazias, torna a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amareladas.
Continua, apesar de todos esperarem que abandones.
Não deixes que se enferruje o ferro que há em você.
Faz com que em lugar de pena, te respeitem.
Quando pelos anos não consigas correr, trota.
Quando não possas trotar, caminha.
Quando não possas caminhar, usa bengala.
Mas nunca te detenhas !!!"

quinta-feira, 10 de março de 2011

Silêncio- Elisabeth Gilbert


"O silêncio e a solidão são práticas espirituais mundialmente reconhecidas
e existem bom motivos para isso.
Aprender a disciplinar sua fala é uma forma de evitar
que suas energias se esvaziam de você pelo buraco de sua boca,
exaurindo você e enchendo o mundo de palavras, palavras, palavras,
em vez de serenidade, paz e contentamento."

in "Comer, Rezar, Amar" pág 198

terça-feira, 1 de março de 2011

Canção para uma valsa lenta - Mário Quintana


Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa... de encanto... de medo...

Minha vida não foi um romance
Minha vida passou por passar
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.

Minha vida não foi um romance...
Pobre vida... passou sem enredo...
Glória a ti que me enches a vida
De surpresa, de encanto, de medo!
Minha vida não foi um romance...
Ai de mim... Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso... de um gesto... um olhar..."