domingo, 11 de julho de 2010

BANZO Capítulo 9


"- Eu não entendo."

"- Também gostaria de entender."

"- Então venha comigo."

"- Minha família está aqui"

'' - Há um mundo além do nosso mar."

"- Eu sei. Há uma guerra lá. E você vai em direção a ela. Você não deveria ir. Sabe disso."

"- Não sei mais nada."

"- Então fique!"

"- Minha mãe acredita em uma vida melhor longe daqui."

"- Sua mãe despreza nosso mar desde..."

"- Não fale de minha mãe."

'" - Desde que seu pai morreu."

" - Não fale de meu pai."

"- Meu amor... Estou falando de você. Você ama tudo que nos cerca. está nos seus olhos."

"- ...Eu amo você. Amo minha família. Amo o mundo que conhecemos... E amo o desconhecido. O que está além desse mar quer conheço. Eu sei que você quer vir.

"- Eu quero muitas coisas que você não entende."

"- Nenhuma guerra vai nos atingir. Eu prometo. Por favor, venha."

" - Por favor, fique."

" - Amanhã eu vou te esperar no Princesa."

"- Eu não irei."

" Você virá. Eu sei que você quer vir.E nós conheceremos o mundo juntos. Longe de qualquer guerra. Amanhã! No Princesa. Toda nossa vida vai mudar. Amanhã..."

Isso foi há cinquenta anos.

O vento úmido e salgado parece querer nos castigar essa manhã. Estamos a cerca de dez dias no mar procurando por ELE. Dez dias de poucas palavras e muita esperança.

O irmão dELE parece ter descoberto um brilho interior que vivia escondido sobre sua pele. Nos guia com tranquilidade no mar, como se enxergasse os rastros deixados por ELE nas águas. Têm os olhos de um caçador. O garoto deixou na praia quase todos os sinais de sua mocidade e mostra-se um adulto precoce e seguro de sua força. Nesses dez dias vi pouco do desconhecido do mundo que tanto encantou ELE. Esse desconhecido maldito que O roubou de mim mais do que os desvarios de sua mãe ou sua declarada obrigação familiar. Vejo essa fidelidade familiar no irmão dELE. Na forma com que misteriosamente abrigou esse garoto em uma jornada tão pessoal. Em como esse irmão parece destinado a encontrá-LO nesse imenso mundo. Encontrá-LO para mim. Por mim. Por ELE. Por NÓS finalmente juntos. E por que?

O desconhecido se camufla nos detalhes. Nas frestas do mundo. ELE viu o mundo mas nunca percebeu isso. Hoje eu sei.Olho para os dois quase desconhecidos que me levam e o meu impulso é o de lavar-lhes os pés. Mas não há tempo para gestos de amor ou gratidão.

Um imenso trovão abala as fundações do mundo com seu grito profundo e furioso e afugenta meus pensamentos.Outrro trovão! E o pensamento é um só. A morte cavalga as ondas que se agitam. No terceiro e grandioso trovão nosso barco se agita como um animal ferido. O garoto tenta domá-lo. O irmão dELE olha o infinito decifrando os segredos por trás da grande tempestade que se prenuncia. Há morte nos seus olhos. Ele olha o garoto que luta para dominar o barco que se debate com o fustigar do mar em suas feridas. Olha-me nos olhos como nunca ousou fazer antes e uma fresta do mundo se abre. E vejo um pedaço de desconhecido nos seus olhos. A fresta se fecha e tudo é dor no seu olhar quando ele me diz.

" - ELE está além to trovão. Além da tempestade. O garoto tem uma vida pela frente. Não sei se termos força pra prosseguir. Não sei se iremos sobreviver. Nem sei se ELE vai. "

"- O que iremos fazer?"

O pior dos trovões deixou a boca do irmão dELE na forma de duas palavras. Tudo estremeceu dentro de mim quando ele disse.

" - Precisamos escolher."


Fim do capitulo 9

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