domingo, 5 de agosto de 2012

Quer namorar?- Por Fabricio Carpinejar





A melhor agência de namoro é comprar uma passagem para bem longe.

Quanto mais longe, maior a chance de ser feliz. Não precisa usar o bilhete, é adquirir, pôr no bolso e andar com aquele olhar irresistível de janela redonda de avião.
Sempre repercute: todo mundo sente que vamos embora e ganhamos importância amorosa. Mais imbatível do que usar aliança, do que borrifar perfume de boto, do que afogar estátua de Santo Antônio.

Quer se apaixonar? Invente uma viagem
. Mas tem que pagar para fazer efeito. O destino confere os depósitos bancários.


A despedida é um afrodisíaco veemente. Ficamos abertos e receptivos ao acaso.



Durante os veraneios da adolescência, em Rainha do Mar, eu me ligava na menina no último dia de férias, quando era condenado a voltar para a Capital. Amiga do Interior confessava que me amava um pouco antes de entrar no carro cheio de malas e tralhas. Dava um selinho, corria em direção aos pais e trocávamos cartas ansiosas pelo reencontro ao longo do ano.



É ter um compromisso certo e inadiável para arrumar uma paixão. Sem antítese, não há dialética, não se chega à síntese.



Adoramos uma encruzilhada, confusão, dúvidas. Adoramos a ambiguidade do aceno, que pode ser um oi e um tchau.



Ao tomar um caminho, surge outra opção até então invisível. É programar um intercâmbio no Exterior, que nos envolveremos na noite anterior ao embarque. É realizar sonho profissional de trabalhar na Europa, que antigo amor vem suplicar reconciliação.



O aeroporto e a rodoviária são altares, cupidos, balcões de suspiros.



Se você é solteiro, não entre em chats, não crie perfis falsos, não perca tempo.



As mulheres são alucinadas por homens com malas. Os homens são alucinados por mulheres atravessando o detector de metais.



Se não consegue namorado/namorada, gire o globo, pare um país com o dedo e arrebate passagens.



A distância influencia a longevidade da relação. Menos de 200 quilômetros não traz cócegas. O arrebatamento é proporcional à quilometragem. Viajar a Espumoso produzirá um rápido olhar 43, Santo Ângelo resultará em flerte, Rio de Janeiro ocasionará um caso, Natal renderá breve namoro, deslocamento ao Acre talvez pinte noivado.



Mas, para casar com véu e grinalda, aposte alto e compre passagem de ida (somente de ida!) a Bangladesh.

2 comentários:

Anônimo disse...

Este texto é basicamente o que aconteceu comigo. Eu morava em MG e vinha ver alguns parentes no ES. Em uma dessas viagens conheci uma pessoa completamente encantadora. Então aos prantos voltei pra casa e foi um ano de muitas dúvidas, choros, ficar revendo fotos, sonhos e falta de esperança. E quando por fim tomei a decisão de que não valia a pena continuar com esse sofrimento havia chegado as férias de verão e eu voltei ao ES e não resisti ao sorriso, ao carinho, ao amor. Resolvi fazer diferente, fiquei definitivamente no ES e hoje eu e ele estamos juntos a +/- 5 anos!

:)

R disse...

Ok. Bangladesh, aí vou eu!! Isso eu diria se não fosse medrosa. Acho que o medo me fez ficar com preguiça de viver um grande amor...e pensando bem, se preciso estar distante pra alguém entender que me ama...eu consigo viver sem amor. Pra todas as outras coisas, existe o telesexo. E "Viva!" à camisinha! Adeus, Bangladesh! Não pretendo te ver nem no Globo Reporter!...