quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Para Lalá


Essa foto é de maio de 2008, aniversário de meu irmão Bruno. E demonstra bem a alegria de nossa Lalá. Esse foi um dos presentes que ela deu a ele. Uma cuequinha rosa. Salve Lalá!!



No último sábado "a jiripoca piou". Era assim que tia Lalá, sempre alto astral e gozadora, falava de seu estado de saúde ultimamente. Na sua última internação, quando nos preparávamos para levá-la para o hospital, ela já muito cansada, mas sem perder sua alegria, olhou fundo nos meus olhos e disse: "Netinho, a jiripoca vai piar!!". Dali em diante foram dias de muito sofrimento para ela e para nós que a amamos.
Só que Lalá não combinava com tristeza. Era a pessoa mais intensa que conheci. Falava o que vinha na cabeça, e por muitas vezes cometia exageros. Mas quem não os comete?? Era aquela tia que todo sobrinho aprendia a amar desde neném. Tirava onda com todo mundo, pois sempre ensinava os novos sobrinhos, consanguíneos ou não, a falar "Lalá". Às vezes, eles aprendiam isso antes mesmo de falar "Mamãe" ou "Papai". Da minha infância tenho lembranças gostosíssimas dela jogando bola conosco. E de suas brincadeiras que atravessaram anos e anos sem sair de nossas cabeças.... Da minha adolescência, sua casa, onde moro hoje em dia, era o ponto de encontro de jornalistas, poetas, boêmios e políticos... Eram noitadas maravilhosas, ao som de muita MPB, cerveja gelada, gente inteligente e risadas!!! Graças a Lalá, conheci pessoas que até hoje fazem parte de minha vida de uma maneira super especial.
O tempo foi passando e como nem tudo na vida são flores, tivemos também nossos momentos difíceis. Muito difíceis. Talvez por sermos muito parecidos em certas coisas. Entretanto, tenho muito a agradecer a Deus e a nossa família, a oportunidade que tivemos de esquecer esses momentos e dar muito amor um ao outro. Nos últimos tempos, ao invés de cerveja gelada e discussões inúteis, compartilhamos de manhãs de paz e noites de reflexão nos grupos espíritas que íamos juntos. Sou um cara que mesmo com vários problemas do cotidiano, não pode reclamar muito. Na mesma encarnação, pude desfrutar de momentos inesquecíveis e de resgate com duas pessoas que amo muito: Meu irmão Léo e minha tia Lalá.

Se Laís Peixoto não foi mãe de verdade, deixa órfãos vários sobrinhos e amigos. Uma lição de amor à vida e a seus ideais!!

Termino este texto com um trecho da música que cantei em silêncio durante seu enterro. Uma música que representa muito bem quem foi Laís Peixoto!!


"Viver!E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
E a vida!E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?O que é? O que é?Meu irmão..."

2 comentários:

Ana Paula Motta disse...

A doce e meiga Lalá.

Pedro disse...

pq sempre com os melhores, "a jipiroca pia"? tia lala...