segunda-feira, 16 de junho de 2008

Bela estória....



Estou querendo colocar esta notícia aqui desde a semana passada. Hoje enfim consegui.


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Após 2 meses, bebê de mãe com síndrome de Down e pai com atraso mental é registrado


A Justiça do Direito Online
O Globo

Nascida há dois meses e três semanas, o bebê Valentina foi finalmente registrada nesta quinta-feira no cartório da cidade de Socorro, a 135 quilômetros da capital. Filha de Maria Gabriela Andrade Damate, de 27 anos, portadora de síndrome de Down, e de Fábio Marcheti de Moraes, de 28 anos, que possui um atraso mental, ela teve a certidão de nascimento negada porque o pai não conseguia declarar a paternidade. Neste caso, ela deveria ser registrada apenas no nome de Maria Gabriela - o que não foi aceito pela família dela. A emissão da certidão de nascimento foi determinada, na terça-feira, pela juíza Érica Brandão, da 2 Vara Cível do município. Diante da juíza e do promotor Elias Francisco Chaib, mesmo com dificuldade, Fábio conseguiu declarar que era o pai de Valentina e namorado de Gabriela. E fez questão de enfatizar sua participação para a concepção da filha. - Perguntaram se ele mantinha relação sexual com Maria Gabriela, e o Fábio disse que era todo dia - diverte-se a avó materna, Laurinda Ferreira de Andrade, de 51 anos, que procurou o Ministério Público para que a neta tivesse nome de pai e mãe no registro. Com a certidão da filha em mãos, Fábio era só felicidade. - Agora eu sou pai. Até ontem eu não era - disse Fábio, com a filha no colo. Como ele não sabe escrever, coube à Gabriela assinar o registro de nascimento. - Estou muito feliz - disse a mãe que, embora já more com Fábio, ainda não desistiu da idéia de se casar, "de papel passado" em cartório e na Igreja. Para a avó Laurinda, que é quem cuida de fato da pequena e saudável Valentina, ela e Gabriela estão em papéis trocados. - Eu fico a educação, e a Gabriela com o papel de paparicar, que em geral é a função de vó - observa Laurinda, elogiando o desempenho da filha como mãe. - Gabriela é muito delicada. Já troca fralda e me ajuda no banho. Vou fazer questão que ela leve a filha à escola, como toda mãe - disse. O desejo agora é que Valentina - que significa coragem e de saúde perfeita - não tenha que enfrentar outro preconceito por causa da deficiência dos pais.

- Espero que nunca mais ela passe por uma situação assim. Vou educar a Valentina para que ela tenha orgulho dos pais - disse. Tanto esforço para ter os sobrenomes dos pais na certidão rendeu um nome tão comprido como o de uma princesa: Valentina Andrade Demate e Marcheti Moraes.


Namoro começou na Apae

O registro de nascimento de Valentina celebra uma história de amor que começou quando Maria Gabriela e Fábio ainda eram crianças. Eles se conheceram na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), de Socorro. Há três anos, quando Fábio voltou para estudar na Apae, o casal iniciou o namoro e, logo, com o apoio das famílias, foram morar juntos. A gravidez de Gabriela só foi descoberta no sexto mês de gestação, quando Fábio confidenciou a um amigo que à noite eles ficavam vendo a barriga dela mexer. - Isso foi um choque. Não esperava que ela pudesse engravidar, nem dos riscos para a criança e a mãe -disse a avó Laurinda. O nascimento Valentina é um dos 50 casos registrados no mundo de filhos de mãe com síndrome de Down. As mulheres portadoras desta deficiência podem engravidar, e tem 85% de chances de gerar uma criança sem a mesma herança genética - como ocorreu com Maria Gabriela. Já os homens com a down são estéreis.