terça-feira, 2 de setembro de 2008

Enxaqueca na criança

Um recente estudo apresentado no Congresso Brasileiro de Neurologia mostrou que mais de 90% das crianças com dor de cabeça têm enxaqueca. “A enxaqueca é uma doença benigna e hereditária. As alterações genéticas provocam alterações químicas no cérebro, que trazem crises de dor de cabeça”, diz Marco Antônio Arruda, neurologista da infância e adolescência e responsável pela pesquisa. Os pais podem suspeitar do problema na criança se a dor acontece sem nenhum motivo aparente, como uma virose ou gripe, e repete na semana seguinte ou no próximo mês. As atividades do dia-a-dia também ficam comprometidas. Nas crises, ela pára de brincar, quer deitar, fica mais sensível à luz e ao barulho, fecha os olhos, tem náuseas e pode até vomitar. Uma característica do desconforto é quando a dor ocorre somente de um lado da cabeça da criança, lateja e piora com esforço físico. “Toda criança com dor de cabeça freqüente precisa ser encaminhada ao especialista, para identificar a causa. Os pais normalmente levam a criança ao oftalmologista primeiro, mas a dor por motivo ocular fica em torno de 1% das crianças”, diz Marco Antônio. Outro dado importante da pesquisa é que a dor de cabeça causada por doenças graves, como tumor, aparece em menos de 1% das crianças com o sintoma. Deixar a criança sem um diagnóstico pode comprometer a qualidade de vida dela. Quando as crises são freqüentes, seu desempenho escolar é prejudicado, porque falta mais à escola, além de perder dias de lazer com os amigos e com a família. Quanto mais cedo a enxaqueca for tratada menor a chance de o problema continuar na vida adulta.

Tratamento
Segundo o especialista, há várias formas de tratar a enxaqueca, que pode ser com medicamentos ou não. E os pais podem ficar tranqüilos: os remédios são bastante eficazes e seguros. Em mais de 80% dos casos há sucesso do tratamento. Por outro lado, é possível prevenir a dor de outras maneiras. Alguns alimentos -- como chocolate, maionese, mostarda, catchup -- e o excesso de luminosidade podem desencadear crises, assim como o estresse e o acúmulo de atividades extracurriculares. Também é fundamental a criança ter uma rotina, com horários para dormir - uma vez que a privação do sono piora o problema - e para se alimentar corretamente.

FONTE: Revista Crescer