terça-feira, 4 de novembro de 2008

Ansiedade nas eleições norte-americanas



Confesso que não consigo entender a eleição nos Estados Unidos. É tudo muito estranho. Em um país com cerca de 300 milhões de habitantes existem apenas 538 eleitores diretos para a eleição presidencial. São os delegados com assento no Colégio Eleitoral.
Nos EUA a eleição não é direta, apesar de durante a campanha os candidatos se dirigirem à população. O que vai contar é o resultado de cada Estado (os EUA são compostos por 50 Estados e um Distrito Federal).
Os Estados nomeiam representantes para o Colégio Eleitoral e estes escolhem o presidente.
Cada Estado tem uma forma própria para eleger estes delegados.Em alguns apenas podem votar os que estão inscritos nos partidos, enquanto em outros a votação é alargada aos cidadãos. Segundo a Constituição, tanto senadores como deputados estão proibidos de fazer parte do Colégio Eleitoral.
O sistema norte-americano determina que cada eleitor vote no Estado onde mora. Refira-se que o voto não é obrigatório. Depois da votação popular, são os delegados que escolhem quem vence, sendo que habitualmente seguem o voto do candidato escolhido pela maioria da população do Estado a que pertencem.
Já aconteceu, no entanto, delegados individuais não terem seguido o voto popular dos seus Estados. Ou seja, nem sempre o voto popular decide o escrutínio. A última vez em que isso ocorreu, em 2000, houve 50.992 milhões de americanos que votaram em Al Gore (democrata) enquanto 50.445 mihões optaram por Bush (republicano).
Porém este último arrecadou 271 delegados do colégio eleitoral enquanto o seu opositor só obteve 267 elementos e Bush foi para a Casa Branca. Lembro-me que quatro anos depois, houve uma demora absurda para a apuração dos votos. E isso que acho mais estranho ainda, um país que é considerado por todos como o mais importante e poderoso do mundo, demorar tanto tempo para decidir quem será seu presidente. E o Brasil, tão criticado pelos americanos, consegue em poucas horas, por conta das urnas eletrônicas, divulgar os vencedores de suas eleições. Ao mesmo tempo, acho louvável a legislação eleitoral americana em certos aspectos. Aqui a imprensa sofre com um mecanismo retrógrado e conservador, que limita muitas vezes a sua atuação. Enquanto lá, temos a chance até de ver a desesperada chapa republicana "pagando mico" no mais tradicional humorístico do país, o "Saturday Night Live". Impagável!!

De qualquer forma, hoje é um dia importantíssimo para a humanidade. E sinceramente espero que nas eleições de hoje a decisão seja bem mais rápida. O mundo não vê a hora de se livrar de Bush. Sou mais um na torcida por Barack Obama, mas sem o fanatismo da maioria.


Aguardemos.