terça-feira, 14 de outubro de 2008

Jornal elege Seleção de 1982 como "melhor perdedora"


O dia 5 de julho de 1982 vai ficar para sempre marcado na minha memória. E acho também na memória de muitos admiradores do esporte bretão.

Eu tinha 10 anos, e pela primeira vez iria acompanhar uma Copa do Mundo de maneira consciente, e ao mesmo tempo apaixonada. O tempo era de comprar chicletes "Ping-Pong" e colecionar o álbum com os craques daquela que é na minha opinião até hoje, a melhor Copa que já assisti. E a pior, ao mesmo tempo.....Sou contraditório assim mesmo. Mas para um moleque apaixonado por futebol, era maravilhoso ter a chance de ver craques como Sócrates (meu ídolo na época), Zico, Falcão, Júnior, Leandro jogando juntos com a "amarelinha" comandados por Mestre Telê Santana. Ao mesmo tempo tínhamos em outros times, Rumennige, Michel Platini, Tigana, Maradona.....e um tal de Paolo Rossi....
O local era o acanhado estádio Sarriá, em Barcelona. O cenário, a Copa do Mundo de 82 da Espanha, na qual uma certa seleção "canarinho" encantava o mundo com seus craques.
Verdadeiras demonstrações de um futebol bonito e vistoso, buscando sempre a vitória. Neste dia, o mundo do futebol iria assistir a queda de um time julgado imbatível, mas que não resistiu a um só homem. Paolo Rossi. E pela primeira vez chorei por causa de futebol. Até hoje não esqueço.

Estou falando tudo isso porque o jornal britânico The Guardian elegeu os seis maiores derrotados da história. A idéia foi prestar um "tributo para aqueles que voltaram para a casa de mãos vazias, mas deixaram suas marcas na memória". Nem vou falar dos outros cinco. A questão é que a Seleção que disputou a Copa de 1982 aparece na primeira colocação do ranking. A publicação relembra lances protagonizados pela equipe e cita jogadores como Sócrates, Zico e Falcão. Segundo o Guardian, se o time de Telê Santana não tivesse caído diante da Itália e fosse campeão, seria lembrado como "superior ao Brasil de 1970".

Não sei se aconteceria isso mesmo. O "se" é sempre complicado. No futebol, nem se fala....Mas uma coisa é certa: O futebol-arte começou a morrer naquele dia. E o futebol pragmático e de resultado ganhou forças!!
Nunca mais tive a mesma empolgação para ver uma Copa do Mundo. O Estádio Sarriá, talvez por maldição dos deuses do futebol, não existe mais. Foi demolido em 1997. Não vi Pelé, Garrincha, Rivelino....Mas me orgulho de ter visto uma geração que, se não ganhou, até hoje é reverenciada pelos que amam futebol. Eu sou um deles.

4 comentários:

Lígia Maciel disse...

E eu nem era nascida ainda...hihihih! Beijos Neto!

Gervásio Neto disse...

Você por aqui menina!!!rsrs
Valeu pela visita!!!!
Bjão

Flavio disse...

eu tinha 15 anos e senti exatamente o mesmo que vc.

LauroRM disse...

Neto. Você disse tudo. Essa também é a minha seleção favorita e esse ano jamais me esquecerei. Concordo com você também, essa seleção se tivesse ganho certamente acabaria com a fama da seleção de 70 sim, e como não ganhou, acabou ali o futebol arte, dando lugar ao futebol de resultados que infelizmente impera até hoje.